A chamada fase do não costuma desafiar pais, mães e cuidadores. Afinal, de uma hora para outra, a criança parece recusar tudo: não quer tomar banho, não aceita trocar de roupa, evita as refeições e responde negativamente até mesmo a atividades de que gosta.

Em reportagem do Portal Lunetas, Ana Carolina D’Agostini, psicóloga e coordenadora de formações do Instituto Ame Sua Mente, explica que, apesar dos desafios do dia a dia, essa fase é um sinal esperado e saudável do desenvolvimento infantil.

 

O “não” como expressão de autonomia

De acordo com Ana Carolina, a fase da recusa costuma surgir entre os 18 meses e os 2 anos de idade, período em que a criança começa a perceber que é uma pessoa separada de seus cuidadores. Nessa etapa, ela ainda não consegue argumentar ou explicar suas vontades com clareza. Por isso, encontra no “não” uma forma simples e poderosa de se posicionar diante do mundo.

A psicóloga destaca que esse comportamento não deve ser interpretado como mera teimosia. Na prática, trata-se de um exercício importante para que a criança descubra suas preferências, teste escolhas e desenvolva sua identidade.

 

Quando a oposição é um sinal positivo

A especialista também observa que as crianças costumam demonstrar maior oposição justamente com as pessoas com quem mantêm vínculos mais seguros. Embora possa gerar frustração nos adultos, essa atitude costuma refletir confiança emocional.

Segundo  Ana Carolina, a criança se sente segura para experimentar limites, expressar emoções e testar reações sem medo de perder o afeto ou ser abandonada. Por isso, pais e cuidadores podem compreender esse comportamento como parte do desenvolvimento emocional, e não como um ataque pessoal.

 

Crianças não estão tentando manipular os adultos

Outro ponto importante levantado pela psicóloga é a interpretação equivocada de que crianças pequenas estariam manipulando seus pais ou responsáveis.

Ana Carolina explica que a manipulação exige habilidades cognitivas complexas, como planejamento, antecipação das reações do outro e manutenção de uma intenção ao longo do tempo. Essas capacidades dependem do amadurecimento do córtex pré-frontal, região cerebral que continua em desenvolvimento até a vida adulta.

 

Ana Carolina D’Agostini fala sobre fase do não nas crianças

“Uma criança de 2 anos não está tramando contra os pais. Ela está sendo arrastada, muitas vezes dominada por emoções intensas dentro de um cérebro que ainda não tem freio e de um corpo que não tem linguagem para expressar tudo isso.” 

 

 

Assim, é importante interpretar os comportamentos infantis a partir do estágio de desenvolvimento da criança, evitando julgamentos e expectativas incompatíveis com sua maturidade emocional.

 

Como lidar com a fase do não

A oposição faz parte do desenvolvimento infantil, mas isso não significa que a criança não precise de limites. Ana Carolina diz que cabe aos adultos estabelecer regras claras, especialmente em situações que envolvem segurança e bem-estar. Ao mesmo tempo, é possível oferecer pequenas oportunidades de escolha para que a criança exerça sua autonomia de forma saudável.

Permitir que ela escolha uma roupa, um brinquedo para o banho ou a forma de realizar determinada tarefa pode reduzir conflitos e favorecer a cooperação. Dessa forma, os cuidadores conseguem equilibrar acolhimento e firmeza, respeitando as necessidades da criança sem abrir mão dos limites necessários.

 

Leia a reportagem completa.

 

Newsletter

Assine a newsletter e receba conteúdos qualificados sobre saúde mental no seu e-mail.
Faça parte desse movimento #amesuamente

    Nos diga o tipo de conteúdo que tem interesse:

    © 2023 por Ame Sua Mente

    Ame sua mente
    logo_l

    ©2023 por Ame Sua Mente