A capacidade de reconhecer, compreender e expressar sentimentos é uma habilidade fundamental para o desenvolvimento infantil. No entanto, nem sempre as crianças encontram espaço para falar sobre o que sentem ou recebem apoio para identificar suas emoções. É justamente nesse contexto que a educação emocional ganha relevância ao contribuir para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais ao longo da vida.

Dados recentes mostram que esse diálogo ainda não faz parte da rotina de muitas famílias brasileiras. Por exemplo, um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizado por meio do International Early Learning and Child Well-being Study (IELS), investigou diferentes aspectos do desenvolvimento de crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola.

Entre os temas analisados, a pesquisa avaliou a frequência com que responsáveis conversam com as crianças sobre sentimentos. No Brasil, 56% das famílias afirmam ter esse tipo de conversa entre três e sete vezes por semana. Já a média mundial alcança 76%.

Os dados foram abordados em reportagem do Portal Lunetas, que ouviu Gustavo Estanislau, médico psiquiatra e especialista do Instituto Ame Sua Mente, para explicar a importância dessas conversas nos primeiros anos de vida.

 

Nomear emoções ajuda a desenvolver habilidades socioemocionais

Gustavo afirma que grande parte do aprendizado emocional acontece por meio das interações com os adultos. Quando pais, mães, cuidadores e educadores falam sobre seus próprios sentimentos e ajudam as crianças a identificar o que estão vivenciando, ampliam seu repertório emocional e favorecem a compreensão de si mesmas e das pessoas ao redor.

 

Gustavo Estanislau fala sobre educação emocional

“Ao falarmos sobre as nossas emoções, fazemos com que as crianças desenvolvam repertório e consigam identificar essas emoções em si mesmas e nos outros.”

 

 

De acordo com o especialista, esse processo contribui para o desenvolvimento da linguagem emocional e para a construção de formas mais saudáveis de lidar com as próprias experiências.

O papel dos adultos na educação emocional

Muitas crianças conseguem perceber sensações físicas e emocionais, mas ainda não possuem vocabulário suficiente para explicar o que estão vivendo. Por isso, a participação dos adultos é fundamental para ajudá-las a dar significado a essas experiências.

A reportagem destaca que a educação emocional acontece no cotidiano, por meio de conversas simples e momentos de escuta. Perguntar como a criança está se sentindo, validar suas emoções e compartilhar experiências pessoais são atitudes que contribuem para esse processo.

Além disso, à medida que aprendem a identificar sentimentos como tristeza, alegria, medo, frustração ou ansiedade, as crianças desenvolvem maior consciência emocional. Como resultado, tornam-se mais preparadas para lidar com desafios, construir relacionamentos saudáveis e pedir ajuda quando necessário.

Nesse sentido, a educação emocional não busca evitar emoções difíceis. Pelo contrário: ajuda a compreender que todas elas fazem parte da experiência humana e podem ser reconhecidas, acolhidas e expressas de maneira saudável.

 

Leia a reportagem completa.

Publicada em 18 de maio de 2026.

 

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Desenvolvimento emocional: crianças saudáveis também sentem tristeza, raiva e medo

 

 

 

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