As apostas esportivas são proibidas para menores de 18 anos. Ainda assim, as bets estão cada vez mais presentes no cotidiano dos adolescentes, impulsionadas pela publicidade e pelo fácil acesso aos celulares.
Em reportagem publicada pelo Estadão, o psiquiatra da infância e da adolescência Gustavo Estanislau, especialista do Instituto Ame Sua Mente, explica por que a adolescência apresenta maior vulnerabilidade às apostas. A matéria também aborda como o envolvimento com as bets pode prejudicar o rendimento escolar e comprometer projetos de longo prazo, como o ingresso no ensino superior.
Bets e adolescentes: impulsividade aumenta os riscos
De acordo com o psiquiatra, o cérebro do adolescente ainda passa por um processo de amadurecimento. O córtex pré-frontal, região do cérebro relacionada ao planejamento, ao controle dos impulsos, à tomada de decisões e à regulação das emoções, ainda está em desenvolvimento. Por isso, os adolescentes tendem a agir de forma mais impulsiva e a atribuir maior valor às recompensas imediatas. Como destaca o especialista:

“O adolescente tem essa tendência de viver as coisas de uma forma mais intensa, com comportamentos mais impulsivos, passionais.”
Nesse contexto, as bets exploram justamente a busca por recompensas imediatas. Além disso, a facilidade de acesso pelo celular pode dificultar a percepção dos riscos. Assim, o jovem pode repetir o comportamento mesmo diante de perdas financeiras ou prejuízos na rotina.
Como as bets podem afetar os estudos
A relação entre bets e adolescentes também preocupa pelos impactos na vida escolar. Quando as apostas passam a fazer parte da rotina de forma intensa, o jovem pode perder a concentração, deixar tarefas em segundo plano e comprometer o planejamento acadêmico.
Ao mesmo tempo, a busca por resultados imediatos pode entrar em conflito com objetivos de longo prazo, como concluir os estudos e ingressar no ensino superior. Em outras palavras, a impulsividade pode influenciar decisões importantes para o futuro.
Gustavo afirma que a prevenção depende da participação das famílias, da escola e dos responsáveis. Além de impedir o acesso às plataformas, é importante conversar com os adolescentes sobre o funcionamento das apostas, seus riscos e as estratégias utilizadas para atrair novos usuários.
A análise de Gustavo Estanislau reforça a necessidade de prevenção, supervisão dos responsáveis e diálogo aberto. Afinal, proibir o acesso não basta. Famílias e escolas também precisam ajudar os adolescentes a compreender os mecanismos das bets e suas possíveis consequências.
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Publicada em 17 de junho de 2026.
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