
As companhias artificiais estão transformando a forma como os adolescentes aprendem e se relacionam. Em artigo para a Veja, o psiquiatra Gustavo Estanislau, especialista em saúde mental do Instituto Ame Sua Mente, analisa o dilema: até que ponto essas tecnologias podem apoiar o desenvolvimento emocional dos jovens? E, quando elas passam a representar um risco?
Primeiramente, o especialista destaca que a adolescência sempre foi um período de intensas transformações, pois é nesta fase que se constroem identidades e vínculos. Além disso, os adolescentes também costumam ser os primeiros a adotar novas tecnologias. Por isso, não é surpresa que, hoje, estejam à frente do uso de inteligências artificiais como companhias digitais.
O Potencial das Companhias Artificiais
Em seu artigo, o psiquiatra reconhece os benefícios das companhias artificiais, já que elas estão sempre disponíveis e respondem rapidamente a qualquer chamado. Somado a esses fatores, as companhias artificiais podem contribuir para que adolescentes consigam nomear e expressar sentimentos que, muitas vezes, não conseguem fazer com outras pessoas. Em alguns casos, inclusive, funcionam como um espaço inicial de organização emocional.
Os Riscos Identificados nas Companhias Artificiais
Por outro lado, quando o uso ocorre sem mediação adulta, os riscos aumentam. A interação com sistemas que não questionam, não frustram e não impõem limites pode reforçar padrões de pensamento pouco saudáveis. Além disso, respostas automáticas podem validar comportamentos inadequados ou oferecer informações imprecisas. Adicionalmente, a interação constante pode levar a um descolamento da realidade. Como resultado, pode aumentar tanto o isolamento quanto a dependência emocional e confusão sobre relações.
Gustavo destaca que segundo diretrizes publicadas pela American Psychological Association (APA), os adolescentes precisam compreender que interações digitais não substituem as relações baseadas em empatia, conflito, negociação e cuidado mútuo. Ou seja, a convivência humana segue sendo insubstituível.
Portanto, afirma o psiquiatra, a APA recomenda que tecnologias voltadas a jovens adotem princípios de proteção adequados à idade. Isso inclui limites de uso, filtros de conteúdo e maior cuidado com a privacidade. Neste cenário, a supervisão humana e a educação digital tornam-se pilares essenciais.
A Necessidade de Diálogo e Políticas Públicas
O artigo ainda ressalta a importância do envolvimento de pais, responsáveis e educadores neste processo. Isso porque o diálogo aberto continua sendo uma das ferramentas mais eficazes de proteção.
Por fim é preciso implementar políticas públicas que regulem o uso ético das companhias artificiais nas escolas, visando, assim, a proteção dos adolescentes. Em síntese, o desafio não está em proibir, mas em educar, acompanhar e cuidar.
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Publicada em 12 de novembro de 2025.







