Como saber se uma criança está enfrentando dificuldades próprias do desenvolvimento ou se precisa de acompanhamento especializado? Essa é uma dúvida comum entre famílias e educadores quando o assunto é saúde mental infantil.
Em entrevista ao Canal FMyBrain, o psiquiatra Gustavo Estanislau, especialista do Instituto Ame Sua Mente, discute os desafios de reconhecer o sofrimento emocional na infância, os riscos de diagnósticos precipitados e a importância do diálogo familiar.

De acordo com o especialista, a ansiedade e as mudanças de comportamento podem estar relacionadas a diferentes fatores, como o uso excessivo das redes sociais, as relações familiares e as experiências vividas pelas crianças e adolescentes.
Por isso, antes de interpretar qualquer comportamento como sintoma de um transtorno mental, é importante compreender o contexto em que ele ocorre.
Nesse processo, o diálogo e a presença atenta dos responsáveis são fundamentais para compreender o que as crianças estão vivendo. Ouvir seus sentimentos e perceber mudanças de comportamento ajudam a identificar sinais de sofrimento emocional e reconhecer quando é necessário buscar ajuda profissional.
“Muitas crianças que estão numa zona de sofrimento não precisam, necessariamente, nem de uma avaliação especializada. Elas precisam ser ouvidas pelos pais”, afirma.
Outro tema abordado na entrevista é o impacto das telas no cotidiano infantil. O psiquiatra destaca que restringir o uso de celulares nas salas de aula favorece a atenção e a convivência entre os estudantes.
Sem a presença constante dos aparelhos, crianças e adolescentes têm mais oportunidades de conversar, interagir e participar das atividades escolares, fortalecendo habilidades sociais e emocionais importantes para seu desenvolvimento.
Quando a saúde mental infantil se torna um sinal de alerta?
O especialista também alerta que o uso prolongado da internet, especialmente sem acompanhamento dos responsáveis, também merece atenção. Isso porque a exposição a determinados conteúdos e comunidades digitais pode influenciar comportamentos, relações e a maneira como crianças e adolescentes percebem o mundo.
“Quanto mais tempo seguido você tem dentro de uma comunidade, nessa idade, mais chance você tem de te desvincular dos teus valores e começar a te conectar com valores que a princípio pareciam absurdos.”
Por fim, o psiquiatra explica que nem toda mudança de comportamento representa um transtorno mental. Sentir tristeza, medo ou frustração faz parte do desenvolvimento. Entretanto, quando essas manifestações se tornam intensas, persistentes ou começam a prejudicar a rotina e as relações da criança, é importante ficar alerta.
Para Gustavo Estanislau, um dos principais desafios é diferenciar o sofrimento que faz parte da vida daquele que compromete o bem-estar e pode exigir acompanhamento especializado.
Nesse sentido, manter o diálogo aberto, estabelecer limites e acompanhar o desenvolvimento dos filhos são atitudes fundamentais para reconhecer suas necessidades e promover a saúde mental infantil.
Publicada em 01 de outubro de 2026.







