
Atualmente, o bullying é um problema que preocupa educadores, famílias e profissionais de saúde mental em diversos países. De acordo com um relatório do UNICEF, 1 em cada 4 adolescentes da América Latina, entre 13 e 17 anos sofre bullying no ambiente escolar, muitas vezes relacionado à aparência, raça ou sexualidade. Por isso, o tema tem mobilizado cada vez mais pesquisas e debates sobre formas de prevenção e intervenção.
Recentemente, o SBT News trouxe novamente o tema para o debate público. A reportagem apresenta uma nova lei da Coreia do Sul voltada ao combate ao bullying. Entre as medidas previstas, está a possibilidade de excluir do processo de ingresso na universidade estudantes que tenham registros de agressão na escola. Dessa forma, a legislação busca aumentar a responsabilização por comportamentos violentos ocorridos durante a vida escolar.
Durante a reportagem, o psiquiatra e especialista do Instituto Ame Sua Mente, Gustavo Estanislau, comenta os possíveis impactos desse tipo de medida. Além disso, ele destaca que o enfrentamento ao bullying exige cuidado para equilibrar responsabilização e prevenção. Em outras palavras, embora seja necessário lidar com comportamentos agressivos, também é fundamental considerar estratégias educativas que promovam mudanças de comportamento.
Adolescência é uma fase de desenvolvimento
Ao analisar a legislação sul-coreana, Gustavo ressalta que é importante diferenciar responsabilizar de punir. Apesar de ser fundamental lidar com comportamentos agressivos, medidas extremamente punitivas podem gerar um efeito ainda mais grave. Isso acontece porque decisões tomadas durante a infância ou adolescência podem ter consequências duradouras.
Além disso, o especialista observa que o bullying ocorre com maior frequência entre 11 e 15 anos, período marcado por intensas transformações emocionais, sociais e cognitivas. Nessa fase da vida, os jovens ainda estão desenvolvendo habilidades importantes, como empatia, autocontrole e capacidade de prever consequências futuras.
Por esse motivo, muitos adolescentes ainda não possuem o aparato cognitivo necessário para projetar plenamente o impacto de suas ações no longo prazo. Ao mesmo tempo, o psiquiatra lembra que, em alguns casos, estudantes que praticam agressões também podem ter sido vítimas de violência ou exclusão. Assim, compreender essas dinâmicas é essencial para lidar com o bullying de forma mais assertiva e responsável.
Diferença entre bullying e brincadeira
Outro ponto destacado pelo especialista é a dificuldade de diferenciar o bullying na escola de conflitos pontuais ou brincadeiras entre estudantes. Por exemplo, algumas interações podem parecer brincadeiras, mas, quando se repetem e envolvem desequilíbrio de poder, passam a exigir atenção.
De acordo com Gustavo, para caracterizar o bullying é necessário observar três fatores:
intencionalidade
repetição
desigualdade de poder entre os envolvidos
Portanto, quando esses elementos estão presentes, a situação deixa de ser uma interação pontual e requer atenção por parte da escola e das famílias. Assim, reconhecer esses sinais é um passo importante para interromper o ciclo de agressões.
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Prevenção é o caminho mais eficaz contra o bullying
Diante desse cenário, especialistas defendem que o enfrentamento ao bullying deve priorizar estratégias preventivas. Ou seja, em vez de focar apenas em punições, é fundamental investir em ações que promovam relações mais saudáveis entre os estudantes.
Nesse sentido, algumas iniciativas que apresentam bons resultados incluem:
desenvolvimento de habilidades socioemocionais;
estabelecimento de regras claras no ambiente escolar;
atuação conjunta entre pais, professores e equipe pedagógica.
Além disso, essas estratégias ajudam a identificar precocemente situações de risco. Consequentemente, contribuem para a criação de ambientes escolares mais seguros e acolhedores.
A seguir, veja algumas recomendações dos nossos especialistas:
Por fim, a participação de Gustavo no SBT News reforça que enfrentar o bullying exige uma abordagem equilibrada. Ainda que seja necessário responsabilizar comportamentos agressivos, investir em prevenção, educação emocional e diálogo entre escola e família é essencial. Desse modo, torna-se possível reduzir conflitos e promover relações mais respeitosas no ambiente escolar.
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