Em matéria sobre produtividade no trabalho, foco e concentração para o Portal Viva, o psiquiatra Gustavo Estanislau, especialista do Instituto Ame Sua Mente, analisa os desafios do cotidiano profissional.
Segundo ele, a sobrecarga de tarefas, o uso simultâneo de múltiplas telas e, sobretudo, a lógica da multitarefa vêm fragmentando a atenção e intensificando a exaustão mental. Atualmente, há um consenso de que foco e concentração se tornaram recursos cada vez mais raros e, ao mesmo tempo, mais valiosos no mundo do trabalho.
O psiquiatra reforça que o ser humano não é multitarefa. Assim, quando o foco é constantemente interrompido, o tempo necessário para concluir atividades tende a aumentar, enquanto a eficiência diminui.
Além disso, Gustavo chama atenção para um efeito menos visível, mas igualmente relevante. “As pessoas não têm tempo para escutar o corpo”, diz.
A ausência de pausas adequadas, somada ao uso excessivo de estímulos digitais — inclusive nos momentos de descanso — contribui para crises de sono, cansaço persistente e maior dificuldade de concentração ao longo do dia.
Por isso, para preservar o foco, o psiquiatra destaca a importância das pausas. Ou seja, momentos de descanso que não envolvam atividades que continuem exigindo alto gasto de energia cerebral.
Técnicas de organização como aliadas do foco e concentração
Ao comentar sobre ferramentas de gestão do tempo, como a Técnica Pomodoro, Gustavo explica que esse tipo de método ajuda a organizar a atenção ao oferecer previsibilidade ao cérebro. Em outras palavras, quando sabemos que haverá períodos claros de foco e de descanso, torna-se mais fácil sustentar a concentração sem sobrecarga.
Como funciona a Técnica Pomodoro?
A Técnica Pomodoro é um método de organização do tempo que alterna períodos curtos de foco com pausas programadas. O objetivo, portanto, é manter a atenção elevada sem levar ao esgotamento mental.
Na prática, a sequência funciona assim:
trabalha-se com foco total por 25 minutos em uma única tarefa;
ao final desse período, faz-se uma pausa curta de 5 minutos;
em seguida, o ciclo se repete;
após três blocos de foco, realiza-se uma pausa maior de cerca de 15 minutos.
Assim, o padrão fica: 25 minutos de foco → 5 minutos de descanso → 25 minutos de foco → 5 minutos de descanso → 25 minutos de foco → 15 minutos de descanso.

As pausas são parte essencial do método. Afinal, elas permitem que o cérebro se recupere, ao mesmo tempo que reduzem o cansaço mental.
Além disso, o fracionamento do trabalho melhora a percepção do tempo. Isso porque favorece o gerenciamento das demandas, diminui a sensação de sobrecarga e contribui para manter o cérebro mais alerta ao longo do dia. Da mesma forma, saber que haverá uma pausa programada reduz a ansiedade e o risco de dispersão, além de facilitar o início das tarefas.
Desse modo, o fato de técnicas de organização do tempo continuarem amplamente utilizadas demonstra sua eficácia — especialmente em contextos de excesso de demandas e dificuldade de priorização.
Por fim, Gustavo reforça que preservar foco e concentração não é apenas uma questão de produtividade, mas também de saúde mental.
Publicada em 30 de novembro de 2025.







