A reportagem publicada no portal Babel (USP) levanta o debate sobre como o crescimento dos conteúdos sobre TDAH nas redes sociais — especialmente no TikTok — pode contribuir para uma onda de autodiagnóstico e banalização do transtorno. Nesse contexto, o tema do TDAH e autodiagnóstico nas redes sociais ganha ainda mais relevância.

Atualmente, a hashtag #TDAH soma milhões de visualizações, impulsionando testes simplificados que prometem identificar o transtorno em poucos segundos

No entanto, apesar de ampliar a visibilidade do assunto, esse tipo de conteúdo pode gerar confusão. Isso porque o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, com forte base genética, que exige avaliação cuidadosa e multiprofissional. Portanto, marcar alguns sintomas genéricos em listas rápidas não é suficiente para fechar um diagnóstico.

Além disso, é importante lembrar que existem diferenças entre dificuldades comuns do cotidiano e sinais que realmente indicam a presença de um transtorno mental.

Nesse vídeo, Gustavo explica de forma mais detalhada como identificar os sintomas do TDAH:

O que é TDAH? Como identificar os sintomas?


Diagnóstico de TDAH, redes sociais, escola e impactos na saúde mental

Convidado na matéria, o psiquiatra da infância e adolescência e especialista do Instituto Ame Sua Mente, Gustavo Estanislau, explica que o aumento no número de diagnósticos de TDAH está relacionado a diversos fatores. Entre eles, destacam-se:

  • maior conhecimento científico sobre o transtorno e seus sintomas;

  • aumento do acesso à informação e redes de tratamento;

  • além da melhora na identificação dos sinais por profissionais da saúde e da educação.

Ou seja, esse crescimento está longe de ser uma “moda” criada pelas redes sociais.

Além disso, Gustavo alerta que crianças e adolescentes com TDAH frequentemente enfrentam disciplina negativa, críticas excessivas e pouco reforço positivo no ambiente escolar. Como consequência, esses aspectos impactam diretamente a autoestima e podem favorecer o desenvolvimento de quadros de ansiedade e depressão.

Segundo o especialista, por isso mesmo, disseminar conhecimento em saúde mental nas escolas é fundamental para reduzir estigmas e promover intervenções adequadas.

O psiquiatra ainda destaca que estratégias pedagógicas mais interativas, organização da rotina, segmentação de tarefas e ajustes no ambiente escolar ajudam estudantes com TDAH a ampliar seu potencial. Ao mesmo tempo, favorecem a aprendizagem, fortalecem a autonomia e promovem maior inclusão no ambiente escolar.

Em suma, buscar informações baseadas em evidências científicas, realizar avaliação profissional e garantir cuidado precoce são passos essenciais para evitar tanto o subdiagnóstico quanto o autodiagnóstico equivocado.

Leia a matéria completa. 

Publicada em 11 de novembro de 2025.

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