
O debate sobre o uso de celular nas escolas ganhou urgência nos últimos anos. Isso acontece porque o tema não se limita à disciplina em sala de aula: ele também envolve aprendizagem, convivência e saúde mental. Quando a tela ocupa intervalos, aulas e até momentos de descanso, crianças e adolescentes perdem oportunidades importantes de desenvolver habilidades como atenção sustentada, controle de impulsos e interação presencial.
Por isso, a discussão sobre restringir o celular na escola ganhou força como uma forma de proteger o ambiente de aprendizagem e, sobretudo, favorecer rotinas mais saudáveis dentro e fora da sala.
Essa discussão também foi destaque no programa 15 Minutos de Cidadania, da Rádio Câmara, que abordou a lei que restringe o uso de celular nas escolas e a urgência do tema no Brasil. Com a participação do psiquiatra e especialista do Instituto Ame Sua Mente, Pedro Pan, a matéria também apresenta o olhar da saúde mental e do desenvolvimento infantil nesse cenário.
De acordo com o psiquiatra, o uso excessivo de telas pode impactar o sono — algo que já representa um desafio importante para crianças e adolescentes. Além disso, ele comenta estudos que acompanham jovens ao longo do tempo e sugerem maior dificuldade em áreas do desenvolvimento ligadas às funções executivas, como
- controle inibitório (frear impulsos);
- manter a atenção;
- fazer julgamentos;
- tomar decisões e
- se comunicar melhor no dia a dia.
Ou seja, o celular na escola não afeta apenas a concentração: ele também pode interferir no desenvolvimento de habilidades importantes para aprender e conviver.
Celular na escola: como as telas interferem na saúde mental
Pedro Pan também lembra que tempo de tela costuma ser tempo sedentário. Portanto, quando o celular ocupa recreios e intervalos, ele frequentemente substitui movimento, brincadeiras e interações presenciais. O especialista aponta um dilema real para professores: muitos aplicativos são desenhados para oferecer recompensas imediatas — como rolagem infinita, notificações e vídeos curtos. Nesse contexto, manter a atenção dos alunos em sala de aula se torna um desafio, mesmo com propostas pedagógicas criativas.
Pedro conta que, no início da implementação da proibição, alguns adolescentes relataram tédio. Com o tempo, porém, ele também passou a escutar percepções positivas.
“Eu tenho escutado relatos muito interessantes, porque também trabalho muito próximo de escolas e dos profissionais da educação, de, após a proibição, perceber espaços físicos no intervalo serem reocupados por esses jovens. A mesa de ping-pong, o bater o bafo da figurinha, o grupo de brincadeira das meninas. Então foram percebendo uma reapropriação desses espaços físicos.”







