As redes sociais para menores de 16 anos têm gerado muitos debates. Recentemente, o deputado Maurício Neves apresentou um projeto de lei que proíbe o acesso de menores de 16 anos a essas plataformas. A proposta surge em meio a discussões sobre riscos presentes no ambiente digital. Entre eles, estão a exposição precoce de crianças, a sexualização de menores e o contato com conteúdos inadequados.

Atualmente, o chamado ECA Digital já estabelece algumas regras. Por exemplo, proíbe publicidade direcionada a crianças e, além disso, exige que contas de menores estejam vinculadas a responsáveis. Porém, o novo projeto propõe uma medida mais ampla ao discutir a restrição total de redes sociais para menores de 16 anos.

Neste cenário, o Metrópoles ouviu especialistas sobre os possíveis impactos da proposta. Entre eles, está o psiquiatra e especialista do Instituto Ame Sua Mente, Gustavo Estanislau, que destaca pontos importantes sobre o funcionamento das plataformas e seus efeitos no desenvolvimento de crianças e adolescentes. 

Gustavo Estanislau discute projeto de lei que propõem a proibição de redes sociais para menores de 16 anos

De acordo com Gustavo, o debate não se limita ao conteúdo publicado nas plataformas. Isso acontece porque muitas delas operam com mecanismos de recompensa rápida, como curtidas, comentários e visualizações. Esses estímulos, por sua vez, geram respostas imediatas no cérebro, incentivando a busca constante por novas recompensas.

Por isso, quando crianças se acostumam a receber recompensas rápidas com frequência, podem passar a esperar esse mesmo padrão em outras experiências. No entanto, grande parte dos processos da vida acontece de forma mais lenta. Nesse contexto, essas crianças podem ter mais dificuldade para lidar com frustrações, espera e tédio.

Se você quiser saber mais sobre a importância do tédio nas crianças, leia nosso blog:

Tédio em crianças: por que ele importa no desenvolvimento

Responsabilidade deve ser compartilhada

Os especialistas também ressaltam que essa discussão não pode recair apenas sobre as plataformas digitais. Nesse sentido, o cuidado com o ambiente digital envolve a atuação conjunta de:

  • Famílias, que acompanham e orientam o uso da tecnologia;

  • Estado, responsável por criar políticas públicas e regulamentações;

  • Empresas de tecnologia, que desenvolvem e operam as plataformas.

Portanto, enfrentar os desafios relacionados às redes sociais para menores de 16 anos exige uma abordagem integrada, que combine regulação, educação digital e participação ativa das famílias.

Assista à matéria completa.

Publicada em 14 de fevereiro de 2026.

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