
A discussão sobre saúde mental no trabalho tem ganhado cada vez mais espaço. No entanto, ainda existem dúvidas importantes sobre como identificar sinais de esgotamento e quando o estresse deixa de ser pontual. Em entrevista ao programa Sinais Vitais, com Dr. Kalil, da CNN, os psiquiatras e especialistas do Instituto Ame Sua Mente, Rodrigo Bressan e Gustavo Estanislau, esclarecem o que caracteriza o burnout, como ele se diferencia do estresse comum do dia a dia e por que exige atenção à saúde mental no trabalho.
O que a saúde mental no trabalho tem a ver com burnout?
De acordo com os especialistas, a Organização Mundial da Saúde reconhece o burnout como um fenômeno ocupacional. Ou seja, ele está diretamente ligado ao estresse crônico no ambiente profissional. Como Rodrigo Bressan explica, o burnout não é uma doença mental. Ainda assim, ele aumenta o risco de desenvolver transtornos psiquiátricos.
Portanto, cuidar da saúde mental no trabalho é essencial para prevenir quadros mais graves.
Os sinais de alerta no ambiente profissional
Durante a entrevista, os especialistas destacam que o burnout não surge de forma repentina. Pelo contrário, ele é resultado de um processo contínuo.
Os principais sinais incluem:
Exaustão intensa e constante;
Distanciamento emocional ou cinismo em relação ao trabalho;
Queda significativa na produtividade.
Nesse sentido, observar esses sinais é fundamental para preservar a saúde mental no trabalho no dia a dia profissional.
Por que o termo burnout está sendo usado de forma errada?
Segundo Gustavo Estanislau, é preciso tomar cuidado com a banalização do termo, que às vezes as pessoas usam para descrever estresses comuns e cansaços passageiros — algo inerente à vida cotidiana. Esse uso pode prejudicar a compreensão da saúde mental no trabalho e diminuir a percepção de gravidade do problema.
Segundo ele, o burnout está associado a um desgaste persistente e diretamente relacionado ao trabalho. Ou seja, não se trata de um episódio isolado.
“O burnout é um tipo de estresse crônico e que vai levando a um prejuízo muito mais intenso e mais duradouro do que um simples estresse. O estresse é um estado de alerta que acontece no nosso dia a dia e que pode eventutalmente gerar problemas como: insônia transitória e dificuldade de concentração transitória. Mas no burnout esse nível de estresse é muito maior e mais contínuo”.
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A relação com depressão, ansiedade e outros transtornos
Embora não seja considerado uma doença, o burnout pode estar associado a outros transtornos mentais. De acordo com Rodrigo Bressan:
“Entre 40% e 80% dos casos de burnout com transtorno de ansiedade ou transtorno depressivo. Então faz muito sentido que a gente entenda a dinâmica de trabalho pra modular qualquer outro quadro psiquiátrico”
No entanto, é importante reforçar que a depressão afeta diversas áreas da vida, enquanto o burnout está restrito ao contexto profissional, impactando diretamente a saúde mental no trabalho.
Como promover saúde mental no trabalho?
Diante desse cenário, é essencial promover ambientes profissionais mais saudáveis. Além disso, como reforçam Rodrigo Bressan e Gustavo Estanislau, reconhecer limites, reduzir sobrecarga e incentivar o diálogo dentro das empresas são passos fundamentais nesse processo. Investir em saúde mental no trabalho não é apenas uma questão individual, mas também organizacional, com impacto direto no bem-estar e na produtividade.
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Assista a entrevista completa.
Publicada em: 14 de março de 2026.









