Pedro Pan fala sobre sofrimento emocional na adolescência ao podcast JR 15 Min

O sofrimento emocional na adolescência tem se intensificado no Brasil e já acende um alerta importante. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PENSE/IBGE), mostram que 3 em cada 10 jovens relatam tristeza frequente, um número que chama a atenção de especialistas, famílias e escolas. Além disso, sintomas como irritabilidade constante, sensação de desamparo e perda de sentido na vida indicam que muitos adolescentes estão enfrentando dificuldades emocionais mais profundas.

O podcast JR 15 Minutos, com a participação do psiquiatra e especialista do Instituto Ame Sua Mente, Pedro Pan, analisa as causas desse fenômeno e discute caminhos possíveis para prevenção e cuidado.

O que os dados revelam sobre o sofrimento emocional na adolescência

Durante o episódio, o psiquiatra Pedro Pan destaca que os dados são preocupantes, mas precisam ser interpretados com cuidado. Segundo ele, sentir tristeza é algo natural. No entanto, o que chama a atenção é a frequência com que esse sentimento aparece entre adolescentes.

Pedro Pan fala sobre sofrimento emocional de adolescentes

“Isso não significa dizer que 30% dos jovens têm um transtorno mental. É normal sentirmos triste. Faz parte da nossa forma de lidar, muitas vezes, com alguns problemas. Agora, o que chama a atenção é que nos últimos 30 dias, 30% se diz triste na maioria das vezes ou sempre. Então, é muito possível que uma parcela desses adolescentes possam preencher critérios para, sim, um transtorno psiquiátrico.” 

Quando a emoção deixa de ser pontual 

Pedro Pan explica que o principal critério de alerta está na persistência e no impacto das emoções no dia a dia. Segundo o especialista, quando sentimentos como tristeza se prolongam e passam a interferir na capacidade do adolescente de realizar suas atividades cotidianas, é importante acender o sinal de atenção.

Nesse contexto, o sofrimento emocional na adolescência começa a afetar relações sociais, desempenho escolar e o convívio familiar. Também pode se manifestar por meio de outros sinais, como isolamento, irritabilidade e dificuldade de lidar com as próprias emoções.

Leia também o nosso blog completo sobre o tema:

PeNSE IBGE: 3 em cada 10 adolescentes relatam tristeza frequente

Redes sociais, telas e regulação emocional

Outro ponto importante é o impacto do ambiente digital. Segundo Pedro Pan, o uso excessivo de telas pode interferir diretamente no desenvolvimento da regulação emocional, especialmente na infância.

“É como se nós estivéssemos aprendendo a dirigir sem ter o preparo adequado.”

Como resultado, crianças e adolescentes podem ter mais dificuldade em lidar com frustrações. Além disso, o imediatismo das redes sociais tende a aumentar a irritabilidade e até sentimentos de tédio, mesmo diante de uma grande quantidade de estímulos.

Prevenção do sofrimento na adolescência: educação emocional desde cedo

O psiquiatra também destaca que preparar crianças e adolescentes para lidar com emoções é fundamental. Isso inclui ajudá-los a reconhecer, nomear e compreender sentimentos como raiva, medo e tristeza.

Esse processo faz parte do que se chama de educação socioemocional. Ou seja, quanto mais cedo esse desenvolvimento acontece, maior a capacidade do jovem de enfrentar desafios emocionais ao longo da vida.

🎧 Ouça o podcast sobre o tema:

Competências socioemocionais

Acolhimento: um fator decisivo

Outro ponto central é o papel da escuta e do acolhimento. De acordo com Pedro Pan, criar um ambiente seguro para o diálogo pode fazer toda a diferença, permitindo que o jovem se comunique sem medo de julgamento.

Além disso, o especialista reforça que falas relacionadas à desesperança ou à vontade de não viver devem sempre ser levadas a sério. Mesmo quando não indicam risco imediato, elas sinalizam sofrimento e necessidade de atenção.

Caminhos para enfrentar o sofrimento emocional na adolescência

Por fim, o podcast reforça que enfrentar o sofrimento emocional na adolescência exige uma abordagem integrada que envolve família, escola e acesso a serviços de saúde mental. Portanto, promover o diálogo, fortalecer vínculos e identificar sinais precocemente são estratégias essenciais. Ao mesmo tempo, ampliar a informação sobre o tema contribui para reduzir estigmas e incentivar o cuidado.

Ouça a matéria completa aqui.
Publicada em 27 de março de 2026.

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