
A conexão com a natureza tem atraído cada vez mais atenção de pesquisadores e profissionais da saúde. E não por acaso. Diversos estudos apontam que o contato com áreas verdes pode trazer benefícios importantes para a saúde física e mental, como redução do estresse, controle da pressão arterial, mais energia, concentração, criatividade e disposição.
Nesse contexto, uma prática conhecida como “banho de floresta” vem ganhando espaço em diferentes partes do mundo. Embora o nome possa causar estranhamento à primeira vista, ela é bastante comum no Japão e em outros países do Extremo Oriente. Criada na década de 1980, consiste em uma imersão consciente em ambientes naturais, estimulando as pessoas a desacelerar, observar o entorno e se conectar com o momento presente.
Atualmente, cerca de 55% da população mundial vive em áreas urbanas. Em grandes cidades, a presença crescente de prédios e construções tende a afastar as pessoas do contato direto com o verde. Por isso, temos que debater os efeitos positivos da natureza sobre a saúde integral.
Os benefícios da conexão com a natureza
Os efeitos positivos dessa prática já foram observados em diferentes pesquisas. Um estudo realizado no Japão mostrou que a imersão em florestas pode reduzir em 13% os níveis de cortisol no sangue — o chamado “hormônio do estresse”. Além disso, os participantes apresentaram uma redução de 18% na atividade do sistema nervoso simpático, responsável pelas respostas automáticas do organismo em situações de alerta e tensão.
Os benefícios também aparecem em ambientes de cuidado. Nesse sentido, uma pesquisa publicada na plataforma científica Science Direct revelou que a presença de áreas verdes em hospitais contribui para o bem-estar dos pacientes e favorece o processo de recuperação. Ao mesmo tempo, espaços arborizados proporcionam maior conforto emocional para profissionais de saúde, familiares e visitantes.
Já no Brasil, iniciativas nessa área começam a ganhar espaço. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por exemplo, desenvolve um projeto que busca ampliar o acesso à natureza como estratégia de promoção da saúde. Entre as propostas está a formação de ecotuners, profissionais capacitados para orientar as pessoas sobre os benefícios do contato regular com áreas verdes.
Por fim, outra frente em discussão é a possibilidade de que o banho de floresta passe a integrar as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, mais pessoas poderão ter acesso a essa estratégia de cuidado.
Contato com a natureza: remédio natural para a mente
Respirar ar puro, caminhar descalço na grama ou simplesmente observar uma paisagem verde. Gestos simples como esses podem trazer benefícios significativos para a saúde mental.
Uma revisão estudo que reuniu pesquisas publicadas entre 2000 e 2021 confirmou os efeitos positivos do contato com a natureza. Entre os principais resultados, destacam-se a redução de sintomas tanto da ansiedade quanto da depressão. além da melhora do bem-estar emocional. O levantamento também apontou que viver em ambientes urbanos altamente artificializados pode aumentar a vulnerabilidade ao sofrimento psíquico. Nesse cenário, a conexão com a natureza surge como uma importante estratégia de promoção da saúde e prevenção.
Benefícios para as crianças e adolescentes
Os efeitos positivos do contato com áreas verdes também são observados na infância e na adolescência. Uma pesquisa publicada no publicada no Journal of Attention Disorders, por exemplo, mostrou que uma simples caminhada em um parque pode melhorar a concentração de crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).
Da mesma forma, a convivência com a natureza contribui para o desenvolvimento de uma relação mais saudável com o ambiente e com o próprio bem-estar. Na prática, o contato frequente com áreas verdes pode fortalecer a sensação de pertencimento, autonomia e conexão com o mundo ao redor. Como destaca Gustavo Estanislau, psiquiatra e especialista em saúde mental do Instituto:

“A criança que desenvolve o conhecimento ambiental tem em si a sensação de maior controle sobre as coisas que estão em volta dela e a tendência é que isso se reverta em aspectos positivos para a saúde mental delas e também para o meio ambiente no longo prazo.”
Se você quiser aprender mais sobre esse tema, vale a leitura de “Banho de Floresta: como as árvores podem ajudar você a ter mais saúde e felicidade”. A obra, escrita pelo professor chinês Qing Li, traz detalhes sobre essa prática terapêutica.







