A relação entre tecnologia e saúde mental dos jovens representa um desafio crescente para famílias, educadores e profissionais da saúde. Embora celulares, jogos e redes sociais façam parte da rotina, o uso desregulado pode afetar o sono, a atenção, a convivência e o bem-estar emocional.
Uma reportagem da EPTV, afiliada da Rede Globo, aborda o tema a partir do projeto EPTV na Escola 2026. A matéria mostra que proibir ou eliminar completamente a tecnologia não é uma solução possível. Portanto, o caminho está na educação digital, no estabelecimento de limites e na construção de um diálogo próximo com crianças e adolescentes.
Tecnologia e saúde mental dos jovens
Rodrigo Bressan, médico psiquiatra e presidente do Instituto Ame Sua Mente, destaca que o debate precisa considerar a presença definitiva da tecnologia na sociedade. Segundo ele, os recursos digitais trouxeram avanços importantes. No entanto, jovens e adultos precisam aprender a utilizá-los de maneira consciente.
“A discussão não é abolir a tecnologia. Isso não vai acontecer. O desafio é aprender a usar”, afirma o especialista.
Para Bressan, o celular não deve ser tratado como o único responsável pelos prejuízos emocionais. Na verdade, o problema está no uso sem equilíbrio, limites ou orientação. Por isso, ele considera positiva a restrição dos aparelhos durante as aulas, já que mensagens, vídeos e notificações disputam constantemente a atenção dos estudantes.
Ainda assim, retirar o celular da sala não resolve toda a questão. Afinal, o aparelho continua presente fora da escola. Dessa forma, é necessário ensinar os jovens a reconhecer excessos, organizar a rotina e preservar momentos de estudo, sono, lazer e convivência presencial.
Adultos precisam compreender o ambiente digital
Outro ponto destacado pelo psiquiatra é que o mundo virtual faz parte da experiência real dos jovens. Assim, pais, responsáveis e professores precisam conhecer essa linguagem para manter o diálogo aberto.
Quando os adultos ignoram ou desvalorizam o ambiente digital, podem se afastar das experiências vividas pelos adolescentes. Por outro lado, quando demonstram interesse e escutam sem julgamentos, ampliam as possibilidades de orientação e cuidado.

“O virtual é real. Para muitos jovens, é até mais real do que o presencial. Se os adultos não aprendem essa linguagem, não conseguem dialogar”.
Bressan reforça ainda que a responsabilidade não deve ser atribuída somente aos jovens, às famílias ou às escolas. O equilíbrio exige corresponsabilização entre as partes, inclusive do poder público. Em outras palavras, todos precisam participar da construção de regras, limites e hábitos mais saudáveis.
Para o psiquiatra, conciliar o uso da tecnologia e o cuidado com a saúde mental dos jovens não significa abandonar o mundo digital. Significa aprender a utilizá-lo com autonomia e consciência, preservando espaço para o sono, o lazer e as relações presenciais.
Veja a reportagem completa.
Publicada em 02 de junho de 2026.







