A busca por pertencimento, a influência das redes sociais e a promessa de dinheiro rápido têm atraído cada vez mais jovens para o universo das apostas digitais. Em reportagem publicada pelo portal Lunetas, dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), realizado pela Unifesp, revelam a dimensão das bets entre adolescentes e os riscos associados a esse comportamento.
A pesquisadora da Unifesp e especialista do Instituto Ame Sua Mente, Clarice Madruga, afirma que o formato digital intensifica significativamente os riscos do desenvolvimento de dependência. Isso acontece porque a combinação de facilidade de acesso, gamificação e forte apelo visual torna as apostas online um desafio complexo de saúde pública.
“Quem aposta em plataformas digitais tem quase quatro vezes mais chance de desenvolver padrão problemático do que quem aposta em outras modalidades — independentemente de ser homem ou mulher, de maior ou menor renda, do Norte ou do Sul do país”, alerta Clarice.
Bets entre adolescentes: os riscos do jogo problemático
De acordo com o levantamento da Unifesp, cerca de 10,5% dos adolescentes brasileiros entre 14 e 17 anos apostaram dinheiro no último ano. Além disso, entre os meninos de 16 e 17 anos, esse índice chega a 20%. Com isso, estima-se que aproximadamente 1 milhão de menores de idade estejam envolvidos com apostas online no país.
No entanto, não é apenas a presença crescente das bets entre adolescentes que chama a atenção. Os dados revelam ainda uma proporção significativa de comportamentos de risco associados a essas plataformas:
- Alto índice de risco: 55,2% dos adolescentes que apostam já mostram sinais de jogo problemático, superando a proporção encontrada entre adultos (38,8%);
- Vulnerabilidade ampliada: Jovens têm mais do que o dobro de chances de desenvolver padrões aditivos do que adultos quando expostos às apostas online;
- Barreiras burladas: Apesar da proibição legal para menores de 18 anos, restrições de idade são facilmente contornadas com dados de terceiros.
Assim, a pesquisa reforça a importância de compreender os riscos das bets entre adolescentes. Afinal, essas plataformas utilizam recursos que estimulam o engajamento contínuo. Por isso, manter o diálogo aberto sobre o tema é fundamental.
A família, por sua vez, pode desempenhar um importante papel ao observar mudanças de comportamento e acompanhar a relação dos jovens com as apostas.
Por fim, quando esse comportamento começa a prejudicar a rotina, as relações ou a saúde mental, buscar orientação profissional é importante para oferecer o cuidado adequado.
Confira a matéria completa.
Publicada em 09 de julho de 2026.







