Ano novo, vida nova: como aproveitar as férias para desenvolver novos hobbies.

Todo fim de ano, a frase “ano novo, vida nova” reaparece com força nas conversas, nas mensagens e nas redes sociais. Nesse clima, fazemos listas de metas, planejamos mudanças e, muitas vezes, começamos janeiro com a sensação de que “agora vai”.

Ao mesmo tempo, é comum chegar a esse período cansado(a), emocionalmente esgotado(a) e com a mente acelerada. Diante disso, vale fazer uma pergunta honesta e necessária: como transformar esse desejo de renovação em atitudes reais que protejam, de fato, a saúde mental?

Neste texto, vamos explorar como o período de férias pode se tornar um aliado importante para experimentar novos hobbies, organizar melhor o tempo de descanso e construir, aos poucos, um caminho mais consistente de cuidado com a mente. Assim, a ideia de ano novo, vida nova deixa de ser apenas um slogan e se aproxima da sua vida real.

Ano novo, vida nova: o que isso tem a ver com saúde mental?

Em geral, quando falamos em “vida nova”, pensamos logo em grandes projetos: mudar de emprego, iniciar um curso, organizar as finanças ou viajar mais. Entretanto, a saúde mental costuma ficar em segundo plano ou aparece apenas como consequência — e não como prioridade.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde mental é um estado de bem-estar no qual a pessoa consegue reconhecer suas capacidades, lidar com o estresse da vida, trabalhar de forma produtiva e contribuir com a comunidade.

A partir disso, surgem algumas ideias fundamentais sobre a saúde mental. Em primeiro lugar, ela não se resume à ausência de transtornos. Além disso, envolve a forma como sentimos, pensamos, nos relacionamos e fazemos escolhas no dia a dia. Por fim, trata-se de uma dimensão essencial da saúde como um todo, assim como a alimentação, o sono e a atividade física.

Portanto, quando usamos a expressão “ano novo, vida nova”, podemos ampliá-la para uma perspectiva mais cuidadosa. Em vez de focar apenas em metas de performance, vale colocar a saúde mental no centro dos planos — lado a lado com trabalho, estudos, finanças e relações.

Quer seguir nessa reflexão? No texto do Ame Sua Mente “Saúde mental é vida. O que podemos fazer para protegê-la?”, você encontra uma explicação acessível sobre saúde mental como um cuidado contínuo. Leia mais abaixo.

Saúde mental é vida. O que podemos fazer para protegê-la?

Por que o cérebro gosta tanto de novidades?

O cérebro humano não foi feito para viver apenas na repetição. Em outras palavras, ele precisa de estímulos, desafios e alguma dose de novidade para se manter ativo. Por isso, quando aprendemos algo novo ou exploramos uma atividade diferente, o cérebro cria e fortalece conexões entre neurônios — um processo conhecido como neuroplasticidade.

Diversos estudos mostram que, na vida adulta, envolver-se em atividades novas e cognitivamente desafiadoras — como aprender fotografia, tocar um instrumento, estudar um idioma ou experimentar uma técnica manual — está associado à melhora da memória, da atenção e da flexibilidade mental.

Além disso, pesquisas sobre lazer e saúde mental apontam que:

  • Atividades prazerosas, quando praticadas com regularidade, ajudam a reduzir sintomas de ansiedade e depressão.
  • Manter hobbies ao longo dos anos favorece o bem-estar subjetivo e o funcionamento cognitivo.

Ou seja, buscar experiências novas não é apenas “algo diferente ou divertido”. Trata-se de uma forma concreta de cuidar do cérebro e das emoções. Nesse sentido, as férias — com um pouco mais de tempo livre — tornam-se um momento especialmente valioso para experimentar, com menos pressão e cobrança.

Férias: uma oportunidade real de ano novo, vida nova!

Durante o ano, muitas pessoas vivem no chamado “modo automático”. Afinal, a rotina costuma girar em torno de prazos, demandas, notificações e cobranças. Mesmo quando surge uma folga, é fácil manter o mesmo ritmo, apenas trocando a mesa de trabalho pelo sofá com o celular na mão.

Entretanto, o período de férias oferece uma possibilidade valiosa: rever o ritmo. Em vez de preencher cada minuto com tarefas, você pode, por exemplo:

  • Reduzir o contato com o trabalho e as mensagens profissionais;
  • Reorganizar o dia para incluir descanso de verdade;
  • Explorar atividades que normalmente ficam para “quando sobrar tempo”;
  • Prestar atenção em como corpo e mente reagem a essas pequenas mudanças.

Pesquisas em saúde pública mostram que períodos com mais ócio, lazer e contato com a natureza estão associados à redução do estresse, à melhora do humor e ao aumento da sensação de bem-estar. Assim, as férias deixam de ser apenas uma pausa e passam a funcionar como um laboratório de cuidado — um espaço para testar, na prática, o que realmente nutre a saúde mental.

Como novos hobbies ajudam a saúde mental 

Hobbies não são “luxo” reservado a quem tem muito tempo livre. Ou seja, eles podem ser ferramentas importantes de regulação emocional, organização da rotina e construção de sentido.

Ademais, revisões sobre lazer e bem-estar têm mostrado associações consistentes entre participação em atividades prazeirosas e:

  • diminuição de sintomas de depressão e ansiedade;
  • aumento de emoções positivas, como alegria e satisfação;
  • melhor percepção de qualidade de vida;
  • sensação maior de propósito e identidade;
  • impacto positivo em indicadores de saúde física (como sono e pressão arterial).

Em resumo, inserir hobbies durante as férias – e, posteriormente, no cotidiano – pode ser um dos passos mais concretos para transformar “ano novo vida nova” em algo realmente praticável.

Tipo de hobbyPossíveis efeitos na saúde mental
Atividades físicas de lazerMenos tensão, mais energia, melhora do humor e do sono
Hobbies criativos (arte, escrita, artesanato)Redução de estresse, expressão emocional, aumento de emoções positivas
Atividades cognitivas (leitura, jogos, cursos)Estímulo à memória, atenção e flexibilidade mental
Hobbies sociais (grupos, oficinas, corais)Fortalecimento de vínculos, sensação de pertencimento, menos isolamento

Essa organização, inclusive, pode servir de base para materiais visuais — como gráficos ou infográficos — em escolas, empresas e projetos comunitários voltados à saúde mental.

 

Ideias de hobbies para experimentar no ano novo

A seguir, reunimos algumas sugestões que podem ser testadas durante as férias e, depois, adaptadas à rotina. No entanto, vale lembrar: a lista é um convite, não uma obrigação.

1. Movimento: quando o corpo se mexe, a mente agradece

Há ampla evidência científica de que a atividade física regular ajuda a reduzir sintomas de depressão e ansiedade. Além disso, ela contribui para a melhorar o sono. e da saúde cardiovascular.

Portanto, você pode começar de forma simples, com:

  • caminhadas em ritmo confortável;

  • dança em casa ou em aulas presenciais;

  • alongamentos ao acordar ou ou no fim do dia;

  • esportes recreativos, como natação, ciclismo ou futebol.

Mesmo pequenas doses, quando feitas com regularidade, já fazem diferença. Além disso, as férias são um bom momento para descobrir que tipo de movimento combina mais com você.

Para entender melhor essa relação, o artigo “Atividade física: um dos pilares da saúde mental” aprofunda os efeitos do movimento na mente:

Atividade física: um dos pilares da saúde mental

 

2. Hobbies criativos: a arte como espaço de respiro

Atividades criativas ajudam a organizar emoções que, muitas vezes, são difíceis de nomear. Embora não resolvam todos os problemas, elas podem aliviar a sobrecarga, favorecer a expressão emocional e trazer prazer.

Algumas ideias:

  • pintar com tinta, lápis de cor ou aquarela, sem se preocupar com técnica;
  • fazer colagens com revistas antigas;
  • bordar, tricotar ou fazer crochê ouvindo música;
  • manter um diário ou escrever pequenos textos, sem obrigação de mostrar a ninguém.

Vale lembrar que aqui, o mais importante não é o resultado final, mas o processo de criar e experimentar.

 

3. Hobbies tranquilos e sensoriais: desacelerar com intenção

Atividades que envolvem os sentidos ajudam a ancorar a atenção no presente. Por isso, podem ser especialmente úteis para quem vive com a mente acelerada.

Algumas sugestões:

  • cuidar de plantas, regar, podar, trocar a terra;
  • cozinhar uma receita nova, prestando atenção em cada etapa;
  • arrumar um canto da casa com calma, dando novo significado ao espaço;
  • praticar exercícios de respiração lenta ou relaxamento guiado.

Em resumo, essas práticas contribuem para reduzir a tensão muscular, melhorar a percepção do próprio corpo e abrir espaço para decisões mais conscientes.

 

4. Hobbies cognitivos: treinar o cérebro sem exagero

Hobbies que estimulam o pensamento também protegem o cérebro em longo prazo. Estudos em psicologia e neurociência indicam que aprender novas habilidades e manter a mente ativa está associado a melhor funcionamento cognitivo, especialmente em pessoas mais velhas.

Você pode:

  • ler livros, crônicas ou quadrinhos, mesmo que por pouco tempo ao dia;
  • aprender um idioma com aulas curtas ou aplicativos;
  • jogar xadrez, damas, dominó, jogos de cartas ou de raciocínio lógico;
  • fazer cursos on-line sobre temas que despertam curiosidade (história, música, fotografia, etc.).

Além disso, é importante é escolher algo que gere curiosidade, e não apenas mais uma obrigação na agenda.

Ano novo, vida nova: nem todo hobby precisa ser produtivo

Uma armadilha comum é transformar tudo em meta. Assim, até o lazer acaba se transformando em mais uma cobrança. Embora isso possa fazer sentido para algumas pessoas, é essencial preservar parte do tempo livre para atividades que não precisam “render” nada além de prazer e descanso

Caminhar sem destino, desenhar sem perfeição ou simplesmente olhar o céu por alguns minutos também são formas legítimas de cuidado. Nesse sentido, reservar tempo para o não-produtivo é uma maneira saudável de resistência à lógica do desempenho constante.

 

Dicas para sair da zona de conforto e começar o “ano novo, vida nova”

Na prática, cansar, desanimar ou esquecer faz parte. Por isso:

  • Comece com passos mínimos. Por exemplo, 10 minutos por dia para um hobby ou um dia da semana para experimentar algo novo.

  • Observe como você se sente antes e depois das atividades;

  • Use as férias como um ensaio para a rotina do ano. Por exemplo, se caminhar pela manhã melhora seu humor, é possível manter ao menos alguns minutos desse hábito ao longo do ano.

 

Quando o cansaço pode ser sinal de algo mais sério?

Embora o cansaço ao fim do ano seja esperado, alguns sinais merecem atenção:

  • tristeza persistente, que dura semanas;
  • perda de interesse em atividades que antes eram importantes;
  • alterações marcantes no sono (insônia ou sono demais) e no apetite;
  • irritabilidade contínua;
  • sensação de vazio, inutilidade ou desesperança;
  • uso crescente de álcool ou outras substâncias para suportar o dia;
  • pensamentos de que “a vida não vale a pena” ou de desistência.

Nesses casos, descansar pode não ser suficiente. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento inicial nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e serviços especializados, como os CAPS. Informações gerais sobre a rede podem ser encontradas no site do Ministério da Saúde

Em resumo, “falar em ano novo, vida nova” não significa esperar uma transformação mágica com a virada do calendário. É, acima de tudo, reconhecer que mudanças acontecem em pequenas escolhas repetidas ao longo do tempo. Assim, experimentar novos hobbies, descansar com menos culpa, limitar excessos e pedir ajuda quando necessário são atitudes simples que, somadas, tornam o novo ano mais sustentável.

Além disso, não é preciso acertar tudo de primeira nem sustentar todas as resoluções. O que importa é caminhar aos poucos, criando uma rotina em que a saúde mental também seja prioridade. E, se em algum momento o peso ficar grande demais, vale lembrar: ano novo, vida nova também pode significar um novo jeito de pedir ajuda, se acolher e continuar.

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