As causas do Burnout

As causas do Burnout. Nas últimas décadas, a fronteira entre vida corporativa e pessoal tornou-se bem mais frágil. A mudança da dinâmica familiar, seguida da entrada definitiva da mulher no mercado de trabalho e o desenvolvimento da tecnologia fizeram com que a separação entre o privado e o profissional ficasse um pouco confusa. Para complicar, veio a pandemia e a migração para o home office, transformando essa divisão em um verdadeiro desafio. Não é à toa que, nesse período, tantas pessoas experimentaram um burnout.

Na realidade Burnout é a palavra da vez. Ele pode ser definido como um esgotamento físico e mental gerado pelo estresse crônico no trabalho. Na prática, ele funciona como uma espécie de quebra nos nossos mecanismos de engajamento, fazendo com que a gente se desconecte de atividades que antes nos davam vitalidade e energia. Com o tempo, quem sofre de burnout, perde a capacidade de produzir, gerando uma sensação de apatia, falta de motivação e desconexão.

Desde 1º de janeiro de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a síndrome de burnout na 11a Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID -11) como um fenômeno ocupacional, ou seja, ela está associada ao ambiente de trabalho. Assim, burnout é uma síndrome caracterizada pelo estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso. Esse reconhecimento traz importantes consequências práticas, mas também nos convida a refletir sobre a saúde mental no ambiente de trabalho.

Uma nova leitura sobre o Burnout

O burnout não é um tema novo. Porém, nos últimos meses ele ganhou bastante espaço na mídia. Primeiro porque, como explicamos, durante a pandemia, as pessoas foram obrigadas a trabalhar em casa e, por essa razão, os intervalos que estávamos acostumados, tais como o percurso para casa, o sair para almoçar e até a pausa para o cafezinho, simplesmente deixaram de existir. Como consequência, o trabalho acabou dominando a nossa rotina, fazendo com que muita gente chegasse ao esgotamento. Além disso, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) mudou o seu entendimento sobre o burnout.

Antes, para a OMS, o burnout era um quadro psiquiátrico. Hoje, no entanto, a organização passou a classificá-lo como uma síndrome. Na prática, isso significa que o burnout deixa de ser uma questão do indivíduo para se transformar em um tema da coletividade, em que todos devem agir e cuidar para que ele seja amparado.

Durante a pandemia, as pessoas foram obrigadas a trabalhar em casa e, por essa razão, os intervalos que estávamos acostumados, tais como o percurso para casa, o sair para almoçar e até a pausa para o cafezinho, simplesmente deixaram de existir. Como consequência, o trabalho acabou dominando a nossa rotina, fazendo com que muita gente chegasse ao esgotamento.

Essa mudança desencadeada pela OMS ocorreu, principalmente, em razão do aumento de casos no mundo todo. É cada vez maior o número de pessoas que estão sendo afetadas por uma grande sobrecarga de trabalho. Apenas para se ter uma ideia, aqui no Brasil, um ,levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 70% dos trabalhadores afirmam que, em 2020 e 2021, estão trabalhando mais do que a jornada contratada.

A nova classificação da OMS trouxe uma série de dúvidas e muita gente começou a entender o burnout como um transtorno mental. Contudo, conforme explica o psiquiatra e presidente do Instituto Ame Sua Mente, Rodrigo Bressan, “o burnout não é um transtorno mental, mas sim um fator de risco, que acaba modulando a nossa saúde mental. Ele está fincado em três pilares que são a redução da nossa energia, ficar mentalmente distante e perder a eficácia ou a produtividade”.

As causas do burnout

As causas do BurnoutComo explicamos, o burnout se caracteriza pela falta de motivação, pensamentos negativos frequentes, cinismo com relação ao trabalho e queda na produtividade. Os motivos que levam ao burnout podem ser vários, entre eles:

Falta de autonomia

Quando um profissional não consegue tomar decisões sobre a sua rotina de trabalho, ele costuma ter uma alta carga de estresse. Não ser dono da própria agenda ou não ter controle sobre as próprias tarefas é exaustivo. Outro fator gerador no burnout é a falta de condições materiais para a realização do trabalho, ou seja, a falta de equipamentos adequados ou a precariedade das condições de trabalho.

Falta de expectativas claras

Profissionais que não têm clareza sobre aquilo que é esperado deles, provavelmente, se sentem muito desconfortáveis no trabalho. Mais do que saber quais são as suas funções, é essencial saber exatamente o que seus superiores precisam e qual é a expectativa deles e da empresa/instituição em relação às suas atividades desempenhadas.

Relacionamentos disfuncionais ou abusivos

Relacionamentos são um dos principais fatores geradores de estresse. Quando os limites do relacionamento profissional não são respeitados é comum passar por situações prolongadas de estresse decorrentes de dinâmicas disfuncionais.

Extremos de atividade

Seja em situações de caos ou de monotonia, o trabalhador precisa de energia constante para manter o foco. Trabalhos que contam com picos de atividade ou extrema falta de tarefas, acabam gerando situações bastante estressantes desencadeadas por um cenário de incertezas.

Desequilíbrio entre a vida pessoal e profissional

Quando o trabalho consome tanto tempo e energia que o profissional não tem tempo de cultivar relacionamentos, é muito provável que ele se sinta esgotado rapidamente. Tanto o descanso quanto os relacionamentos saudáveis fora do trabalho são fundamentais para recarregar as baterias e evitar o desgaste mental e emocional.

Burnout: como lidar com ele?

Assim como ocorre com outras questões de saúde mental, o burnout demanda ações conjuntas. Tanto as empresas quanto os próprios profissionais devem se responsabilizar pela saúde mental no ambiente de trabalho e agir para prevenir cenários mais críticos.

As empresas devem criar canais de comunicação efetivos para entender o problema, além de estabelecer medidas que ajudem o funcionário a se recuperar. Melhorias na gestão, definição clara de escopo de trabalho e carga horária e incentivos à prática de esportes e atividades relaxantes, por exemplo, podem ser um bom começo.

Para os funcionários que estão passando por uma situação de esgotamento também é importante identificar o problema e agir, evitando assim consequências mais graves. Como o burnout é difícil de se diferenciar de um quadro depressivo, o ideal é buscar ajuda de um profissional para obter o diagnóstico.

Discuta o problema dentro da empresa

É importante diante da sensação de esgotamento, conversar com seu supervisor ou com o departamento de RH. Através do diálogo é possível esclarecer expectativas, rever compromissos e propor soluções, discutindo sobre medidas a serem tomadas e sua implementação.

Busque apoio

Burnout não é fraqueza nem frescura. Por isso, não precisa achar que você tem que lidar com tudo sozinho. Conversar com colegas, amigos e parentes pode ser uma boa maneira de obter suporte para lidar melhor com a questão.

Mude a rotina

Incluir exercícios físicos na rotina, priorizar uma boa noite de sono e buscar práticas de relaxamento como a meditação, por exemplo, podem ser bons recursos para a sua recuperação. Em muitos casos, profissionais que acabam sofrendo burnout dão tanta atenção ao trabalho que se esquecem de incluir no dia a dia atividades que são essenciais tanto para a saúde física quanto mental.

As causas do Burnout

Especialmente nesse período em que começamos a sentir as consequências desses dois anos da pandemia, é preciso reavaliar a nossa rotina, modelos de trabalho e como podemos promover mais equilíbrio no nosso dia a dia. Esse é o primeiro passo para que os cuidados com a saúde mental se tornem uma realidade, dentro e fora do trabalho.

© 2023 por Ame sua Mente

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