Parece bobagem, mas o ócio é fundamental para a saúde mental.

As férias chegam para a alegria das crianças e adolescentes. Nesse período, pais e responsáveis se desdobram para conseguir conciliar o trabalho com o tempo livre e energia de sobra dos filhos. Na tentativa de resolver o problema, muitos investem em acampamentos e até em aulas de reforço, mas a estratégia pode prejudicar a saúde mental dos jovens. Tem sido comum, crianças com uma agenda de atividades cada vez maior e, sobrecarregadas, acabam ficando esgotadas e ansiosas.
O descanso é importante do ponto de vista do desempenho escolar. Um estudo da Academia Norte Americana de Pediatria (AAP), que acompanhou por 5 anos a rotina de alunos em escolas dos Estados Unidos, comprovou que as férias e o aprendizado estão intimamente ligados. Isso porque o cérebro das crianças precisa tanto da informação estruturada oferecida pela escola, quanto daquela adquirida por meio de experiências cotidianas. A pausa das férias permite que o conhecimento adquirido na escola seja fixado por meio de outras experiências.

A força criativa do ócio

Poetas e músicos ao redor do mundo cantam as delícias do il dolce far niente. A expressão italiana louva o chamado ócio criativo. Mas, em um mundo cada vez mais competitivo, ficar tranquilo sem fazer nada não é tão fácil quanto parece. Prova disso é o aumento significativo da carga de trabalho escolar nos últimos anos, somado às inúmeras atividades extracurriculares e compromissos sociais, além do tempo que as crianças e adolescentes ficam conectados. Não sobra tempo para ficar de pernas para o alto.

Muitos pais e cuidadores, inclusive, acreditam que devem ocupar ao máximo o tempo dos jovens para que não fiquem de bobeira e acabem fazendo “alguma coisa errada”. A ciência, no entanto, discorda. Em um artigo publicado pela BBC, a neurocientista Mary Helen Immordino-Yang, pesquisadora do Instituto do Cérebro e da Criatividade da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, ressalta a importância da inatividade para o desenvolvimento mental. Ela explica que há uma parte específica do cérebro que é ativada quando não fazemos nada – conhecida como rede neuronal em modo padrão – que nos ajuda a consolidar a memória e a criar uma visão do futuro. Além disso, esse é o momento perfeito para deixar as ideias soltas e criar novas formas de entretenimento. O ócio é o verdadeiro pai da inovação.

Então, nada de sair ocupando as 24 horas de cada dia de folga. Na hora de planejar as férias, prefira uma rotina mais livre e flexível. Permitir que os filhos escolham o que querem é importante, assim como ficar de olho para que não passem as férias fazendo a mesma coisa o dia inteiro (normalmente em frente às telas).

Conectados, mas com moderação

Aliados e inimigos. Assim é a relação de pais e cuidadores com a televisão, o celular e o videogame. Se usados da forma correta, os gadgets podem ser sim uma opção para entreter e cuidar da saúde mental dos estudantes durante as férias.

Um estudo publicado em 2018 no periódico Frontiers in Psychology, descobriu que jogar videogame pode melhorar as habilidades cognitivas, aumentar a capacidade e velocidade de processamento e até impactar positivamente as emoções. Porém, a pesquisa também revelou que passar o dia jogando pode ter o efeito contrário e gerar, inclusive, uma dependência similar ao que ocorre com certas substâncias químicas.

Da mesma forma, os desenhos animados são capazes de promover ganhos mentais nos pequenos. Com histórias cativantes e a apresentação de sentimentos elaborados, as animações são um recurso interessante para abordar questões como luto, solidão, mudanças, diferenças etc. Os desenhos ainda ajudam a aumentar a criatividade e podem até mesmo despertar o interesse por novas aptidões. Mas, fique atento para escolher programas adequados para cada idade e estar por perto para responder as questões que possam aparecer.

As próprias redes sociais podem trazer inúmeros benefícios, como ajudar adolescentes mais tímidos na socialização, no envolvimento com causas coletivas e até no aprendizado de coisas novas. Por outro lado, em excesso, elas podem ser fonte de ansiedade, insegurança e problemas com a autoimagem.

Atividades ao ar livre

Agora, nada de descuidar do corpo durante a pausa escolar. Tomar sol e movimentar-se é fundamental para a saúde e tem impactos diretos na mente. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a recomendação é que crianças de 2 a 5 anos façam, pelo menos, duas horas de atividade física por dia. Já para as crianças de 5 a 17 anos, o indicado é uma hora diária. E essa recomendação vale para todos os dias da semana.

Isso não significa, necessariamente, praticar um esporte, embora esta seja uma boa opção. Brincadeiras como pular corda e pega-pega são algumas alternativas simples e eficazes para colocar o corpo em movimento. Permitir que a criança brinque livremente no quintal ou no parquinho também faz maravilhas pelo corpo e pela mente dos pequenos.

Por fim, não esqueça de reservar um tempinho para os momentos em família e com os amigos. Somos seres sociáveis e ficar muito tempo sozinho é ruim em qualquer idade.
Mas, lembre-se: qualidade é sempre mais importante do que a quantidade.

© 2023 por Ame sua Mente

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