A relação entre educação e saúde mental tem se tornado um tema cada vez mais relevante. Hoje, aprender envolve não apenas aspectos cognitivos, mas também emocionais e sociais. Esse foi um dos pontos centrais da conversa com Gustavo Estanislau, psiquiatra infantojuvenil e especialista do Instituto Ame Sua Mente, no podcast Finamente #024. Ao longo do episódio, o programa traz os principais dilemas dessa relação, com foco em crianças, adolescentes e jovens.
O que significa saúde mental no contexto da educação
Logo no início do episódio, Gustavo explica que saúde mental não se restringe à ausência de doenças. Na prática, envolve a capacidade de gerenciar pensamentos, sentimentos e comportamentos para lidar com as experiências da vida. Por isso, o debate sobre educação e saúde mental vai além do desempenho escolar. Ele também inclui a forma como os estudantes lidam com frustrações, pressões e mudanças ao longo do processo de aprendizagem.
Educação e saúde mental: emoções também fazem parte do aprendizado
Outro ponto importante nesse contexto: emoções difíceis fazem parte do desenvolvimento. Tristeza, frustração e ansiedade, por exemplo, não são sinais automáticos de problema.
De acordo com o psiquiatra, aprender a reconhecer e lidar com essas emoções contribui para a construção de recursos psicológicos importantes. Assim, o objetivo não deve ser eliminar todo desconforto, mas ajudar o estudante a reconhecer e elaborar essas experiências de forma mais saudável.
Para ver mais sobre o tema, veja nossa ficha informativa sobre emoções:
O papel da escola na promoção da saúde mental
Durante a conversa, Gustavo ressalta a importância da escola na promoção da saúde mental de crianças e adolescentes. Por esse motivo, a discussão sobre educação e saúde mental também passa pela formação de educadores e pela criação de ambientes escolares mais acolhedores.
Neste sentido, ele menciona o projeto Ame Sua Mente na Escola, que busca ampliar o conhecimento sobre saúde mental entre educadores. Quando professores e equipes escolares ampliam seu repertório, conseguem observar mudanças de comportamento e escutar sem julgamento.
Além disso, a formação contribui para que as equipes escolares identifiquem precocemente sinais de sofrimento emocional, como ansiedade, dificuldades de adaptação ou conflitos no ambiente escolar. Dessa forma, a escola deixa de atuar apenas de forma reativa e passa a contribuir para a promoção de saúde mental.
Para se aprofundar no tema, leia o blog:
Ansiedade, atenção e o impacto das telas
O especialista também comenta o impacto da tecnologia no cotidiano de crianças e adolescentes. Segundo ele, o uso constante de telas pode aumentar o estado de alerta do cérebro, reduzir a capacidade de concentração e prejudicar o sono. Como resultado, o processo de aprendizagem também é afetado.
Além disso, atualmente, a ansiedade — caracterizada por um estado de alerta excessivo — é um dos principais desafios. O psiquiatra explica que ela pode se manifestar de diferentes maneiras em cada fase da vida. Por exemplo:
- Em crianças, podem surgir comportamentos de insegurança ou regressão (como maior infantilização);
- Já entre adolescentes, o sofrimento emocional pode aparecer por meio de isolamento ou dificuldades de lidar com pressões acadêmicas e sociais.
Por isso, observar mudanças de comportamento é um passo importante para cuidar da relação entre educação e saúde mental.
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Educação e saúde mental caminham juntas
No fundo, a mensagem é clara: não é possível separar educação e saúde mental. Aprender envolve emoções, relações e contexto.
Quando o sofrimento psíquico é ignorado, o impacto aparece não apenas no bem-estar, mas também na capacidade de aprender. Por outro lado, quando há informação de qualidade, menos estigma e adultos mais preparados, o ambiente se torna mais seguro. E, nesse cenário, o desenvolvimento acontece de forma mais consistente.
Assim, a participação de Gustavo Estanislau reforça que olhar para a educação e saúde mental é essencial para compreender os desafios atuais. Para além do conteúdo acadêmico, a escola também precisa contribuir para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais
Por fim, o debate aponta para um desafio estrutural. Promover saúde mental na educação não é uma ação pontual. Exige mudança de cultura, formação contínua e articulação entre escola, família e rede de saúde.
Em outras palavras, trata-se de construir ambientes que não só ensinem, mas também sustentem o desenvolvimento emocional.
Assista o podcast completo.
Publicado em 9 de janeiro de 2026.








