As chamadas microviolências na escola têm preocupado educadores, famílias e especialistas em saúde mental. Embora muitas vezes apareçam disfarçadas de piadas entre amigos, essas situações podem causar sofrimento emocional profundo, afetar a autoestima e comprometer o sentimento de pertencimento de crianças e adolescentes.
A reportagem publicada no Estadão com o psiquiatra e especialista do Instituto Ame Sua Mente, Gustavo Estanislau, aborda como comentários aparentemente inofensivos podem se transformar em agressões constantes dentro do ambiente escolar.
O que são microviolências na escola?
Microviolências são pequenas agressões repetidas no cotidiano escolar. Elas podem surgir em forma de apelidos, piadas sobre aparência, exclusões silenciosas, comentários depreciativos ou humilhações em grupos de amigos. Além disso, o ambiente digital amplia os impactos das microviolências. Comentários e imagens compartilhados nas redes sociais podem perpetuar constrangimentos e prolongar o sofrimento emocional.
Apesar de impactarem a saúde mental dos jovens, as microviolências acabam sendo naturalizadas nas relações escolares. Gustavo afirma que a situação se agrava quando o adolescente passa a achar que sofrer faz parte da convivência social.
“É tão normalizado que o estudante começa a acreditar que faz parte do funcionamento. Sofre, mas não busca ajuda.”
O especialista acrescenta que muitos adolescentes nem conseguem nomear o que estão vivendo. Dessa forma, acabam silenciando o sofrimento emocional.
Esse cenário é preocupante, pois o impacto das microviolências pode ser cumulativo. Ou seja, pequenas agressões, diariamente repetidas, podem comprometer o desenvolvimento emocional e as relações interpessoais.
O perigo das abordagens punitivas
Gustavo também alerta para os riscos de estratégias excessivamente punitivas nas escolas. Punições isoladas nem sempre resolvem o problema e podem até piorar a situação.

“Intervenções muito punitivas deixam as pessoas mais reativas e mais cuidadosas em machucar o outro sem serem percebidas”.
Por isso, o psiquiatra defende ações preventivas e mudanças no clima escolar, com foco em:
- desenvolvimento de competências socioemocionais;
- fortalecimento do vínculo dos estudantes com a escola;
- intervenções precoces;
- criação de espaços de escuta e acolhimento.
Ele ainda ressalta que ações simples — como avaliar o quanto o aluno se sente conectado à escola — podem funcionar como um importante termômetro emocional.
Escuta e acolhimento fazem diferença
Além de evitar abordagens excessivamente punitivas, também é importante não minimizar o sofrimento dos adolescentes que vivenciam microviolências. Expressões como “ela é sensível demais” ou “foi mal-entendido” invalidam emoções e dificultam a busca por ajuda.
Por essa razão, especialistas defendem que o primeiro passo seja a escuta ativa. Mais do que oferecer soluções imediatas, é fundamental validar o sentimento do adolescente e criar um ambiente seguro para o diálogo.
Leia a matéria completa.
Publicada em 11 de maio de 2025.
Leia o blog e entenda sobre cyberbullying e violência no ambiente digital:







