
O início do ano costuma abrir espaço para revisões. Nesse contexto, a campanha Janeiro Branco convida a sociedade a falar sobre saúde mental e bem estar emocional de forma mais aberta, além de incentivar o cuidado com o bem-estar. Foi nesse cenário que Rodrigo Bressan, psiquiatra e presidente-fundador do Instituto Ame Sua Mente, participou do programa CBN Madrugada. Ao longo da conversa, ele aborda, entre outros temas, ansiedade, a glamourização dos diagnósticos e o papel das relações interpessoais como fator de proteção.
De acordo com o psiquiatra, “todos nós precisamos lidar com desafios para manter a saúde mental em equilíbrio — e lidar com situações estressantes faz parte desse processo”. Nesse sentido, o mais importante é desenvolver mecanismos para enfrentar essas situações e, dessa forma, retomar o estado de equilíbrio.
Assim, o sofrimento nem sempre é patológico. Emoções como tristeza, ansiedade e medo fazem parte da experiência humana e cumprem uma função essencial: sinalizam mudanças, perdas e desafios.
No entanto, o transtorno mental surge quando esse desequilíbrio emocional se intensifica, persiste e, principalmente, passa a limitar a vida cotidiana. Ou seja, o critério não é apenas sentir, mas o impacto desse sentir no dia a dia.
Ansiedade e saúde mental
Bressan também chama atenção para o cenário atual, marcado por guerras, violência urbana, excesso de informação e instabilidade. Em geral, esses fatores impactam a saúde mental e bem-estar emocional
Diante disso, a ansiedade ganha destaque. “O Brasil é conhecido por ter uma das mais altas taxas de ansiedade no mundo”, diz. Ainda assim, sentir ansiedade em alguns momentos é algo natural.
Por outro lado, quando os sintomas da ansiedade se intensificam, se tornam frequentes e passam a prejudicar relações, trabalho ou estudos, é necessário investigar. Quanto antes os sinais são reconhecidos, maiores são as chances de um diagnóstico adequado e de intervenções mais eficazes.
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O risco da “glamourização” de diagnósticos
O psiquiatra também alerta para um fenômeno recente: a “glamourização” dos diagnósticos. Nas redes sociais, condições como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), muitas vezes são tratadas de forma superficial ou romantizada. Como resultado, cresce o número de autodiagnósticos.
Porém, o diagnóstico de qualquer transtorno exige avaliação clínica cuidadosa. Caso contrário, há risco de erros, atraso no tratamento adequado e até aumento do sofrimento.
Relações humanas são fundamentais para o cuidado emocional
Além do tratamento especializado, o psiquiatra destacou um dos pilares da saúde mental: as relações interpessoais.
De acordo com o psiquiatra, grande parte do suporte emocional vem das conexões humanas. Relações baseadas em segurança, confiança e admiração mútua funcionam como um importante fator de proteção contra o sofrimento psíquico. Portanto, fortalecer vínculos familiares, amizades e redes de apoio é uma estratégia poderosa para promover saúde mental e bem-estar emocional.
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A importância do propósito de vida
Outro ponto destacado pelo presidente-fundador do Instituto Ame Sua Me é a importância de se ter um propósito de vida. Com isso, aumenta a capacidade das pessoas de seguir em frente, mesmo diante de desafios.
Da mesma forma, olhar para a saúde mental e bem-estar emocional com mais respeito, humildade e sem preconceito favorece uma compreensão mais profunda de si e dos outros. Além disso, essa postura reduz julgamentos e favorece uma sociedade mais empática e acolhedora.
Por fim, a fala do psiquiatra aponta para um equilíbrio necessário. Nem tudo deve ser medicalizado. Por outro lado, nem tudo deve ser normalizado. Entre esses dois extremos, está o cuidado informado.
Ouça o programa completo.
A participação de Rodrigo Bressan começa em 01:01:10.
Programa publicado em 08 de janeiro de 2026.







