
O uso excessivo de telas pode afetar o sono, a atenção, a autoestima e as relações sociais de adolescentes. Em entrevista a Thelma Assis, no programa Encontro, da TV Globo, o psiquiatra Rodrigo Bressan, presidente-fundador do Instituto Ame Sua Mente, explica os principais riscos e destaca a importância da participação de famílias, escolas e da sociedade.
Bressan explica que muitos adolescentes passam três, quatro ou até cinco horas por dia diante das telas. Com isso, deixam de dedicar esse tempo a atividades essenciais para a formação, como estudar, brincar, descansar, praticar esportes e conviver presencialmente.
O problema, portanto, não é apenas o acesso à tecnologia, mas o espaço que ela ocupa na rotina. Quando o celular substitui outras experiências, o adolescente perde oportunidades importantes de socialização e desenvolvimento emocional.
Outro ponto destacado pelo especialista é que aplicativos, vídeos curtos e redes sociais oferecem estímulos constantes e recompensas imediatas, o que favorece o consumo repetitivo de conteúdo.
Conteúdos também influenciam a saúde mental
De acordo com o psiquiatra, não basta observar o uso excessivo de telas. Também é preciso ficar atento ao conteúdo acessado. Por exemplo, publicações que valorizam corpos muito magros ou reforçam padrões de beleza irreais tendem a aumentar a insatisfação com a própria imagem. Esse cenário pode favorecer o desenvolvimento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia.
Da mesma forma, conteúdos violentos ou que reforçam posições extremas podem favorecer visões mais rígidas e dificultar o diálogo.
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Uso excessivo de telas durante a madrugada
Outro alerta é o uso do celular durante a madrugada. Esse hábito pode comprometer o sono, reduzir a qualidade do descanso e prejudicar a atenção no dia seguinte.

“Se isso acontece sistematicamente, a queda de atenção fica muito pronunciada e as vezes eles estão procurando ajuda para Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), como se tivesse um transtorno, mas na verdade é o impacto das telas durante a madrugada”
Assim, antes de concluir que um adolescente tem um transtorno mental, é importante avaliar sua rotina de sono e o uso noturno do celular.
A importancia de estabelecer limites
Para Bressan, enfrentar o uso excessivo de telas exige a participação das famílias, que devem conversar sobre os riscos, estabelecer regras claras e dar o exemplo por meio de hábitos digitais mais equilibrados.
Além disso, o especialista destaca a importância de medidas coletivas, como a restrição do uso de celulares nas escolas, já prevista em lei, e a proteção de crianças menores de 14 anos contra o acesso precoce às redes sociais.
O objetivo não é eliminar a tecnologia, mas ensinar crianças e adolescentes a utilizá-la com equilíbrio, segurança e responsabilidade.
Assista a entrevista completa.
Publicada dia 05 de junho de 2026.







