O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, chama atenção para os impactos do tabagismo e a importância da prevenção. Dados apresentados no programa Revista Alesp mostram que o tabaco causa mais de 8 milhões de mortes por ano no mundo, incluindo aquelas provocadas pelo fumo passivo. No Brasil, cerca de 160 mil mortes anuais estão relacionadas ao seu consumo.

Durante o programa, Clarice Madruga, psicóloga e especialista do Instituto Ame Sua Mente, explica por que a nicotina provoca uma dependência tão intensa. Ela também aborda os riscos dos cigarros eletrônicos, principalmente entre adolescentes.

A nicotina é uma substância psicoativa e estimulante que, ao ser inalada, chega rapidamente ao cérebro. Por isso, tanto o cigarro convencional quanto o vape podem favorecer o desenvolvimento da dependência.

 

Clarice Madruga fala sobre Dia Mundial Sem Tabaco

“O fumar faz com que qualquer substância fique muito mais aditiva. E a nicotina já é bastante aditiva. Então, a gente está falando de uma das dependências mais complicadas e mais difíceis.”

Dia Mundial Sem Tabaco alerta para os riscos entre adolescentes

Outro ponto levantado por Clarice é a exposição precoce à nicotina, já que o cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento. A substância atua em circuitos relacionados à ansiedade e ao controle dos impulsos. Por essa razão, o consumo nessa fase pode acelerar o processo de dependência e dificultar seu abandono no futuro.

Muitos jovens interpretam de forma equivocada os efeitos da nicotina. Em alguns casos, acreditam que o cigarro ou o vape ajudam a relaxar. No entanto, essa sensação pode representar apenas o alívio momentâneo dos sintomas de abstinência.

“Adolescentes usando ficam ainda mais propensos a ter dificuldade de largar depois. Eles ficam mais rapidamente dependentes e vão ter muito mais dificuldade de abandonar essa dependência mais tarde.”

Além disso, o uso precoce pode estar associado a maior predisposição a problemas de ansiedade, ataques de pânico, insônia e dificuldades de concentração. Por isso, famílias, escolas e profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais de dependência e buscar o encaminhamento adequado quando necessário.

Vapes ameaçam avanços no combate ao tabagismo

Clarice também chama atenção para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos. O Brasil construiu um histórico importante de redução do tabagismo por meio de políticas públicas, restrições de venda e proibição do fumo em ambientes fechados. Entretanto, a popularização dos vapes ameaça parte desses avanços.

Embora a comercialização de cigarros eletrônicos seja proibida no país, esses produtos continuam acessíveis, inclusive aos mais jovens. Sabores, aromas e estratégias de divulgação podem contribuir para uma falsa percepção de segurança.

Por fim, a psicóloga  destaca a necessidade de tratar a dependência como uma condição de saúde. De acordo com a especialista, adolescentes que usam vape dentro da escola ou não conseguem permanecer longos períodos sem fumar podem estar enfrentando sintomas intensos de abstinência.

Assista ao programa completo.
Publicado em 01 de junho de 2026.

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