O uso de telas passou a influenciar diretamente o desenvolvimento emocional, cognitivo e social de crianças e adolescentes. Nesse cenário, o ECA Digital reforça a proteção de jovens no ambiente online e amplia a responsabilidade dos médicos.
Em entrevista à Revista da Associação Paulista de Medicina (APM), o psiquiatra Rodrigo Bressan, presidente do Instituto Ame Sua Mente, explica por que os hábitos digitais devem fazer parte da avaliação clínica.
De acordo com o psiquiatra, durante a consulta, é importante investigar alguns fatores. Entre eles, o tempo de tela, o uso noturno do celular, as redes sociais, jogos online, cyberbullying e supervisão familiar. Além disso, é preciso observar como esses hábitos afetam o sono, o rendimento escolar, a convivência e a saúde mental.
Como o uso de telas afeta a saúde mental infantojuvenil
Um dos principais alertas da entrevista envolve a privação de sono. Muitos jovens usam o celular até tarde e dormem poucas horas. Como resultado, apresentam cansaço, dificuldade de atenção e queda no desempenho escolar.
O psiquiatra destaca que a privação de sono causada pelo uso de telas à noite pode comprometer a atenção e favorecer a suspeita de TDAH, quando, em alguns casos, a principal causa dos sintomas está relacionada aos hábitos digitais. Por isso, antes de considerar o uso de medicação, é fundamental que o médico avalie a rotina digital do adolescente.
A exposição precoce às redes sociais também foi destacada na entrevista. Esse contato pode afetar a autoestima, a regulação emocional e as habilidades sociais, além de aumentar a comparação social, a busca por validação e a hiperestimulação.

“O ponto central não é proibir totalmente o uso digital, mas restringi-lo de forma significativa na infância e adolescência, promovendo um uso mais saudável, gradual e supervisionado.”
Nesse contexto, a legislação fortalece a orientação sobre limites de uso de telas, qualidade dos conteúdos e supervisão dos responsáveis. No entanto, essa responsabilidade não deve recair apenas sobre as famílias. Escolas, plataformas digitais, profissionais de saúde e o poder público devem atuar de forma conjunta para garantir essa proteção.
Por fim, segundo o psiquiatra, o principal avanço do ECA Digital é reconhecer formalmente que o ambiente digital interfere no desenvolvimento e na saúde mental de crianças e adolescentes, ampliando o papel dos médicos na promoção de hábitos digitais mais saudáveis.
Leia a entrevista completa na edição nº 756 – Maio/junho 2026.
Publicada em junho de 2026.







