Educação Antirracista nas escolas

Educação Antirracista nas escolas

 

Se você fica neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor – Desmond Tutu

Uma educação verdadeiramente transformadora precisa, antes de tudo, reconhecer e valorizar a diversidade étnico-racial presente na sociedade. Para que isso aconteça de forma efetiva, é fundamental promover, de maneira contínua, a igualdade de direitos e o respeito entre todos. Nesse sentido, a adoção de uma educação antirracista torna-se não apenas necessária, mas urgente dentro das escolas.

Contudo, essa tarefa não deve ser atribuída exclusivamente aos professores. Pelo contrário, trata-se de uma responsabilidade coletiva, que envolve gestores, docentes e toda a equipe escolar. Isso porque o preconceito e a discriminação podem se manifestar em diferentes espaços da instituição — como nas salas de aula, nos pátios, nos corredores e até mesmo em ambientes administrativos. Por esse motivo, é essencial que todos estejam atentos, sensibilizados e, principalmente, comprometidos com a construção de um ambiente mais justo e inclusivo.

Segundo a filósofa Sueli Carneiro, o racismo é uma estrutura de poder que, além de discriminar pessoas com base na raça, organiza a sociedade de maneira que privilegia as  pessoas brancas, enquanto marginaliza e exclui pessoas negras e de outros grupos raciais.

Além disso, é importante destacar que o racismo funciona também como uma ideologia. Ou seja, ele opera de maneira a naturalizar as desigualdades entre os diferentes grupos raciais. Como resultado, a distribuição de poder, oportunidades e recursos torna-se desigual — perpetuando ciclos históricos de exclusão.

“O racismo estrutura a sociedade brasileira, produzindo desigualdades persistentes e impactando profundamente a vida dos negros.”  – Sueli Carneiro

Racismo estrutural: o que é e como se manifesta

O racismo estrutural é a forma como o racismo se organiza dentro das estruturas sociais, políticas e econômicas. Ele não depende apenas de ações individuais. Ao contrário, está profundamente enraizado nas normas e práticas que regem a vida em sociedade.

Isso acontece porque o racismo, como o conhecemos hoje, tem origem em processos históricos das sociedades modernas. Desde então, ele passou a se manifestar por meio de estruturas que perpetuam as desigualdades raciais nas diversas esferas da vida pública e privada dos cidadãos. Isso ocorre por meio de práticas, normas e políticas que favorecem os brancos e desconsideram as necessidades e direitos das populações negras e indígenas. Por essa razão que o racismo estrutural  exige atenção, compreensão e enfrentamento em todas as áreas, incluindo a educação.

Racismo nas escolas

Nas escolas, o racismo estrutural também se revela de maneira concreta. Um dos indícios mais visíveis está na comparação entre as trajetórias escolares de estudantes negros e brancos. Segundo dados do IBGE, crianças e adolescentes negros enfrentam desvantagens em vários indicadores educacionais. Entre eles, destacam-se:

  • Menor taxa de conclusão do ensino médio e ensino superior
  • Menor frequência escolar de crianças negras de 0 a 5 anos;
  • Menor tempo de estudo e permanência na escola durante a trajetória escolar;
  • Maior índice de analfabetismo do que brancos;
  • Maior taxa de abandono escolar durante as etapas da educação básica.

Além disso, um estudo publicado pela American Psychiatric Association (APA) reforça essa realidade. A pesquisa mostra que adolescentes negros, ao vivenciarem experiências de racismo, apresentaram maior número de sintomas depressivos. Também foi observado maior sofrimento psíquico, menor autoestima, menor desempenho escolar, mais comportamentos de risco e maior uso de substâncias psicoativas.

A importância da educação antirracista nas escolas

Por esses motivos é tão importante combater o racismo no contexto escolar. Veja abaixo alguns exemplos do dia a dia de diferentes formas de combate ao racismo:

1 – Educação antirracista em sala de aula: inserir práticas pedagógicas que promovam o respeito à diversidade racial, integrando o conhecimento dos povos originários e de comunidades historicamente marginalizadas. Essa abordagem busca valorizar e incorporar essas contribuições na formação dos alunos.

2 – Uso das mídias sociais e da comunicação: as redes sociais têm se tornado um espaço importante para dar visibilidade às vozes negras. Nesses ambientes, muitas pessoas compartilham experiências, valorizam sua identidade e debatem temas como o racismo estético. Portanto, esse é um recurso poderoso para ampliar a consciência coletiva.

3 – Ampliação do debate com amigos e familiares: o racismo é uma realidade cotidiana para milhões de brasileiros. Por isso, discutir abertamente esse tema é essencial. Ao ampliar o debate no convívio familiar e entre amigos, desenvolvemos o letramento racial e fortalecemos o respeito às singularidades de cada indivíduo.

O conteúdo desse texto foi baseado no nosso “Caderno sobre Letramento e Consciência Racial”. Se você quiser saber mais sobre o assunto, clique aqui.

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