Gustavo Estanislau fala sobre saúde mental no trabalho na TV Alesp

 

A atualização da NR-1, trouxe ainda mais atenção para a saúde mental no trabalho. Com isso, temas como burnout, ansiedade e assédio moral passaram a ocupar espaço crescente nas organizações e na sociedade. No entanto, para o psiquiatra e especialista do Instituto Ame Sua Mente, Gustavo Estanislau, o principal desafio continua sendo investir em prevenção antes que o sofrimento se agrave.

Durante participação no programa da Revista Alesp, ele chama atenção para a diferença entre a forma como cuidamos da saúde física e da saúde emocional. Enquanto consultas médicas e exames preventivos fazem parte da rotina de muitas famílias, conversar sobre emoções continua sendo um tabu para grande parte da população.

 

Gustavo Estanislau fala sobre saúde mental no trabalho

“A gente fala muito pouco sobre emoção com as crianças. A gente fala muito pouco sobre emoções consideradas negativas, como tristeza e ansiedade. E a gente cresce sem ter um repertório de saúde emocional”.

 

 

O estigma ainda dificulta o cuidado com a saúde mental

Ao longo da entrevista, Gustavo observa que o preconceito  ainda cerca os transtornos mentais. O psiquiatra ressalta que transtornos como ansiedade e depressão possuem componentes biológicos importantes e não devem ser confundidos com falta de força de vontade ou fragilidade pessoal.

Ainda assim, a ideia de que o atendimento psiquiátrico é destinado apenas a casos graves persistiu por décadas. Consequentemente, muitas pessoas deixaram de buscar ajuda nos primeiros sinais de sofrimento emocional, adiando o acesso ao cuidado adequado.

Hoje, porém, o cenário começa a mudar. Cada vez mais famílias buscam orientação profissional diante dos primeiros problemas emocionais. Para Gustavo, essa mudança é fundamental, pois possibilita intervenções precoces e aumenta as chances de prevenção.

 

Como o estresse afeta o cérebro

De acordo com o especialista, o cérebro avalia constantemente o ambiente ao redor. Ao identificar situações de ameaça ou pressão, o organismo aumenta a produção de substâncias relacionadas ao estado de alerta, como adrenalina e cortisol.

Em situações pontuais, essa reação é natural e necessária. Entretanto, quando o estresse se prolonga, o corpo passa a funcionar como se estivesse permanentemente diante de um perigo.

Nesse contexto, começam a surgir sintomas como:

  • dificuldade de concentração;
  • falhas de memória;
  • irritabilidade;
  • cansaço constante;
  • alterações do sono;
  • dificuldade para relaxar;
  • mudanças no apetite.

Além disso, o excesso de estresse compromete o funcionamento de regiões cerebrais responsáveis pela regulação emocional.  Como resultado, a pessoa passa a reagir de forma mais intensa aos acontecimentos do dia a dia e encontra maior dificuldade para administrar suas emoções.

O especialista também alerta para a normalização do esgotamento. Em grandes centros urbanos, as pessoas passaram a acreditar que viver cansado faz parte da rotina e que descansar representa falta de produtividade.

“Uma das coisas mais graves é que as pessoas estão normalizando a ideia de que a gente tem que viver estressado. Mas existe uma diferença entre cansaço, exaustão e burnout”.

 

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Assédio moral: importante fator de risco

As mudanças trazidas pela NR-1 reforçaram a necessidade de olhar para os riscos psicossociais no trabalho. Entre eles, o assédio moral se destaca por seus impactos sobre o bem-estar e a saúde mental dos trabalhadores.

Segundo Gustavo, situações marcadas por cobranças excessivas, humilhações e relações desiguais de poder podem gerar sofrimento emocional significativo. Como consequência, afetam a autoestima, aumentam o estado de alerta constante e favorecem o desenvolvimento de quadros de ansiedade, esgotamento emocional e burnout. Nesse cenário, promover ambientes mais seguros e respeitosos é uma das estratégias mais eficazes para proteger a saúde mental no trabalho.

Ao mesmo tempo, o especialista ressalta que a prevenção a prevenção começa ainda na infância. Para ele, crianças e adolescentes precisam crescer em ambientes onde possam falar sobre emoções, lidar com frustrações e compreender que a vulnerabilidade faz parte da experiência humana. Dessa forma, desenvolvem recursos emocionais que ajudam a enfrentar desafios, buscar apoio quando necessário e cuidar da própria saúde mental ao longo da vida.

Veja o programa completo.

Reportagem publicada dia 26 de maio de 2026.

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