O recente episódio em São José dos Campos (SP), no qual uma professora denunciou ter encontrado uma lâmina de vidro no próprio copo de água, acendeu um alerta para um problema recorrente nas escolas: a saúde mental dos educadores. Sobrecarga, desvalorização e episódios de violência estão entre os desafios enfrentados pela categoria e podem afetar o bem-estar físico e emocional.
Em reportagem para o Portal G1, o psiquiatra e membro do Instituto Ame Sua Mente Gustavo Estanislau explica que os impactos dessa rotina costumam surgir gradualmente e se manifestar de diferentes maneiras.

“O mais comum é a gente se deparar com quadros de ansiedade. O professor começa a se preocupar de forma excessiva com as situações que vive, com o futuro e com a própria rotina escolar. Essas preocupações acabam gerando problemas de sono e, ao longo do tempo, podem evoluir para quadros depressivos”, explica.
O especialista ainda chama atenção para quadros de burnout e para o uso de substâncias como tentativa de aliviar o estresse crônico.
Saúde mental dos educadores: conflitos na escola podem aumentar o estado de alerta
Outro aspecto destacado por Gustavo é a mudança na dinâmica das salas de aula nos últimos anos. De acordo com o psiquiatra, a redução do suporte comunitário, somada a contextos marcados por conflitos, aumenta a carga emocional enfrentada pelos profissionais.
Diante de episódios de agressividade física ou psicológica, o organismo tende a permanecer em estado de alerta. Como consequência, a autorregulação emocional pode se tornar mais difícil.
“Quando a gente lida com alunos com perfil mais agressivo, seja fisicamente, seja psicologicamente, o educador tende a entrar num estado de alerta característico do estresse”.
Gustavo também enfatiza o crescente número de afastamentos relacionados a transtornos mentais e sofrimento emocional. Por isso, olhar para a saúde mental dos profissionais da educação exige medidas que vão além dos cuidados individuais.
A prática de exercícios físicos e os momentos de lazer, por exemplo, contribuem para o bem-estar. No entanto, essas iniciativas não substituem o suporte institucional. Ou seja, acesso a acompanhamento psicológico e políticas públicas voltadas às condições de trabalho são igualmente importantes.
Por isso, cuidar de quem ensina exige uma rede de apoio capaz de oferecer suporte diante dos desafios cotidianos da profissão.
Leia a reportagem completa no Portal G1
Publicada em 04 de julho de 2026.







