Pedro Pan fala sobre lesões autoprovocadas no Jornal da Tarde da Tv Cultura

 

As lesões autoprovocadas entre crianças e adolescentes no Brasil têm aumentado de forma preocupante. Na reportagem do Jornal da Tarde, da TV Cultura, Pedro Pan chama atenção para o significado emocional por trás das lesões autoprovocadas.

De acordo com o psiquiatra, a autolesão pode surgir como uma tentativa de “levar para a pele” um sofrimento emocional que parece insuportável. Isso acontece porque muitos desses jovens não desenvolveram recursos emocionais suficientes para expressar o que sentem. Como resultado, acabam recorrendo à dor física como forma de lidar com emoções intensas.

 

Pedro Pan fala sobre lesões autoprovocadas

“Muitas vezes esse jovem ainda não tem os melhores mecanismos para conseguir falar sobre aquilo que está acontecendo e lidar de outra maneira que não seja se machucar.”

 

Um estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz, mostra que entre 2013 e 2023, houve um aumento de 44% nas internações por lesões autoprovocadas em menores de 19 anos — totalizando mais de 18 mil registros, com maior concentração na região Sudeste. Ainda de acordo com a pesquisa, adolescentes de 15 a 19 anos estão entre os mais afetados.

No mesmo período, o número de mortes relacionadas a esse comportamento aumentou mais de 26%.

Além disso, o estudo aponta a pandemia como um marco importante nesse cenário, pois fatores como o isolamento social, a interrupção da rotina escolar e o agravamento das vulnerabilidades sociais intensificaram o sofrimento emocional dos jovens.

 

Da mesma forma, dados recentes do PENSE/IBGE  reforçam o alerta:

PeNSE IBGE: 3 em cada 10 adolescentes relatam tristeza frequente

Fatores de risco: vulnerabilidade social e emocional

Em geral, as lesões autoprovocadas estão associadas a múltiplos fatores sociais, emocionais e contextuais, como:

  • bullying e exposição nas redes sociais;
  • violência e discriminação;
  • dificuldades familiares e socioeconômicas;
  • falta de acesso a direitos básicos.

Outro aspecto importante é que meninas e jovens negros aparecem entre os grupos mais vulneráveis, o que reforça a necessidade de um olhar atento para desigualdades estruturais e sociais.

Lesões autoprovocadas: sinais de alerta e a importância do acolhimento

Identificar precocemente os sinais é fundamental. Entre os principais indícios estão:

  • Mudanças de comportamento;
  • Isolamento social;
  • Perda de interesse em atividades antes prazerosas;
  • Irritabilidade e tristeza persistente.

Mesmo quando não há verbalização direta, esses sinais podem indicar sofrimento emocional significativo.

Por isso, o olhar atento de pais, educadores e profissionais de saúde se torna essencial para identificar possíveis situações de risco e oferecer acolhimento. Nesse sentido, o apoio emocional e a escuta qualificada podem fazer diferença no processo de cuidado e prevenção.

Quer se aprofundar no tema, conheça nosso caderno de recomendações para as escolas:

Recomendações sobre Saúde Mental para a Gestão Escolar – Autolesão e a escola: Estratégias de apoio e intervenções

Apesar do cenário preocupante, existem caminhos possíveis para apoio e prevenção. Por exemplo, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são portas de entrada importantes para atendimento em saúde mental.

Além dos serviços públicos de saúde, o Centro de Valorização da Vida (CVV) disponibiliza apoio emocional 24 horas por meio do telefone 188.

 

Veja a reportagem completa.
Publicada em 21 de abril de 2026

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