Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Isso significa que, a cada 40 segundos, uma vida é perdida dessa forma.
Embora os índices globais tenham caído cerca de 36% entre 2000 e 2019, nas Américas houve aumento de 17% de casos no período, incluindo o Brasil.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2024, houve 16.446 registros de suicídio no País. O índice segue uma tendência de crescimento desde 2010.
Causas do Suicídio:
Embora o comportamento suicida seja complexo e envolva múltiplos fatores, a maioria dos casos está relacionada a transtornos mentais. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, mais de 95% das pessoas que tiraram a própria vida apresentavam algum tipo de transtorno mental. A depressão é o mais comum deles.
Infelizmente, para cada morte, há muitas outras pessoas que tentam tirar a própria vida. Assim, uma tentativa prévia é um dos principais fatores de risco.
Prevenção do suicídio: quanto mais cedo, melhor!
Outro dado alarmante chama a atenção: o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Além disso, pesquisas mostram que a geração Z — nascidos após 1995 — é mais vulnerável ao estresse. Isso contribui para o aumento de casos de ansiedade, depressão, autolesão e suicídio.
Neste contexto, é importante ressaltar que pesquisas comprovam que 75% dos transtornos mentais surgem antes dos 24 anos, sendo que 50% começam antes dos 14 anos. Apesar disso, 80% dos jovens com sintomas não recebem tratamento. Muitos não procuram ajuda por vergonha, medo do julgamento ou falta de informação. Em outras palavras, poderiam ter sido cuidados se o tema não fosse cercado por tanto estigma.
Se não bastasse, a impulsividade típica da juventude, somada à pressa por resultados e à baixa tolerância às frustrações, agrava a situação. “É fundamental que o jovem entenda a natureza passageira dos sentimentos e que perceba que ele não está sozinho.”, afirma o psiquiatra Rodrigo Bressan, presidente-fundador do Instituto Ame Sua Mente.
Por tudo isso, é urgente criar uma cultura de saúde mental que valorize a prevenção, o diagnóstico e o tratamento precoce. E que tudo ocorra sem preconceito ou discriminação. Quanto mais cedo for o cuidado, melhores as chances de mudança.
Suicídio: uma luz chamada esperança
A crise global da saúde mental trouxe um efeito preocupante: o aumento do sentimento de desesperança. Muitas pessoas passaram a sentir que não tinham mais controle sobre a própria vida. “O indivíduo se sente incapaz de mudar a situação ou entender que ela é passageira. Isso é o que define a desesperança em sua forma mais aguda.”, explica o psiquiatra Gustavo Estanislau, especialista do Instituto Ame Sua Mente. “Por isso falar de suicídio é também falar de desesperança”, diz.
Mas como transformar esse sentimento de impotência e vazio? O primeiro passo é buscar informação. É fundamental entender mais sobre saúde mental e sobre como funcionam nossos pensamentos e emoções. Além disso, estudar temas como autoconhecimento, autocontrole e habilidades sociais — as chamadas competências socioemocionais — ajuda a lidar melhor com as decepções e adversidades.
Outro ponto importante é lembrar que sentimentos difíceis costumam ser passageiros. Nenhuma dor dura para sempre. Por isso, em momentos de angústia, procure fazer algo que distraia a mente. Mesmo sem vontade, tente quebrar o ciclo de pensamentos negativos.
Por fim, construa e fortaleça sua rede de apoio. Ter alguém com quem conversar — seja um amigo, irmão ou outro familiar — pode fazer toda a diferença quando a desesperança bater.
Falar ajuda, e ouvir também
Curiosamente, a pandemia de COVID-19 abriu espaço para essa conversa. “A crise levou todo mundo a falar de saúde mental. Hoje é mais aceito dizer que se está triste ou angustiado. As pessoas escutam.”, afirma Bressan.
Dessa forma, criar ambientes seguros para falar com franqueza é fundamental. Isso vale para casa, escola, trabalho e entre amigos. A prevenção começa com escuta, acolhimento e informação de qualidade. Além disso, escutar com atenção e empatia é uma maneira poderosa de promover o autoconhecimento e fortalecer vínculos.
Mais do que isso, ouvir e falar são atitudes que podem salvar vidas. Quebrar o estigma, reconhecer sinais de sofrimento e saber quando buscar ajuda é essencial. Em outras palavras: a saúde mental não pode mais ser um tabu.
Se você ou alguém próximo está passando por um momento difícil, procure ajuda. No Brasil, o CVV – Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188.
Conheça a rede de serviços de saúde mental disponível na sua cidade, conforme a sua necessidade.