
A adolescência é um período de intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Ao mesmo tempo, surgem dúvidas sobre identidade, futuro e relações. Por isso, a saúde mental dos adolescentes e jovens torna-se um tema crucial para famílias, educadores e profissionais da saúde.
Essa importância cresce ainda mais quando observamos o cenário atual. De fato, nos últimos anos, casos de ansiedade, depressão e comportamentos autolesivos entre adolescentes aumentaram de forma preocupante. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada sete jovens entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Enquanto isso, no Brasil, estudos da Fiocruz mostram que cerca de 40% dos adolescentes relatam sintomas de ansiedade ou tristeza frequente.
Assim, compreender o que está por trás dos números é essencial para construir espaços mais acolhedores e saudáveis — tanto na escola quanto na família e na comunidade.
As mudanças da adolescência e seus impactos emocionais
A adolescência é marcada por transformações hormonais e cerebrais que influenciam diretamente as emoções e o comportamento. Além disso, o córtex pré-frontal — região ligada ao controle de impulsos e à tomada de decisões — ainda está em desenvolvimento. Por essa razão, o jovem pode agir de forma impulsiva, ter dificuldades em lidar com frustrações, além de sentir emoções de maneira mais intensa.
Fatores que influenciam a saúde mental dos adolescentes
Diversos elementos contribuem para o bem-estar — ou mal-estar — emocional nessa fase. Entre eles:
- Mudanças corporais e busca por aceitação
- Pressão escolar e cobrança por desempenho
- Conflitos familiares e falta de comunicação aberta
- Uso excessivo de redes sociais e comparação constante
- Bullying e exclusão social
Assim, quando somados, esses fatores podem gerar sentimentos de inadequação, solidão e baixa autoestima.
O que sente um jovem em sofrimento emocional
Para muitos adolescentes, o sofrimento não é facilmente verbalizado. Em outras palavras, em vez de pedir ajuda, eles podem expressá-lo por meio de comportamentos ou longos períodos de silêncio. Assim, entre os principais sinais de alerta, destacam-se:
- Isolamento repentino;
- Mudanças bruscas de humor;
- Irritabilidade constante;
- Queda no desempenho escolar;
- Desinteresse por atividades que antes gostava.
Esses sinais não significam necessariamente um transtorno. No entanto, eles podem indicar que o jovem precisa ser ouvido e acolhido. Nesse sentido, a escuta empática pode ser o primeiro passo para prevenir um quadro mais grave.
O papel das redes sociais e o impacto da cultura digital
As redes sociais exercem papel ambíguo na saúde mental. Se, por um lado, podem oferecer apoio, informação e senso de comunidade, por outro, também podem gerar comparação excessiva, insegurança e cobranças.
A exposição contínua a padrões irreais de sucesso, beleza e felicidade cria grande pressão psicológica. Além disso, estudos mostram que o uso excessivo de telas — especialmente à noite — está associado à piora do sono, aumento da ansiedade e sintomas depressivos. Segundo pesquisa da UNICEF (2023), 1 em cada 3 adolescentes brasileiros já relatou sentir-se menos confiante devido às redes sociais.
Para orientar os jovens nesse contexto digital, é importante:
- Incentivar pausas e momentos off-line;
- Conversar sobre o uso consciente da internet;
- Ajudar a diferenciar o real do idealizado;
- Criar espaços seguros para diálogos sobre autoestima e imagem corporal.
Fatores de proteção: o que ajuda a fortalecer a saúde mental
Assim como existem fatores de risco, também há elementos que protegem e fortalecem a saúde mental dos adolescentes e jovens.
- Apoio familiar e vínculos afetivos: O sentimento de pertencer e ser aceito é um dos maiores fatores de proteção. Por isso, quando famílias escutam, dialogam e demonstram afeto, vezes os jovens desenvolvem maior resiliência emocional.
- Escola como espaço de acolhimento A escola pode funcionar como um ambiente seguro para expressão e aprendizagem emocional. Por exemplo, projetos de educação socioemocional, rodas de conversa e programas de mediação de conflitos fortalecem o bem-estar coletivo.
- Atividades físicas e artísticas: Praticar esportes, dançar, desenhar ou tocar instrumentos ajuda a liberar tensões, melhorar o humor e promover conexões positivas.
- Psicoterapia e acompanhamento profissional: Quando o sofrimento persiste, o apoio profissional torna-se indispensável. Afinal, terapias individuais ou em grupo oferecem um espaço estruturado para que os jovens expressem emoções, desenvolvam habilidades de regulação emocional e adotem estratégias de autocuidado baseadas em evidências.
O papel da escola e da família na prevenção
Família e escola desempenham papéis complementares na promoção da saúde mental dos adolescente e jovens. Por isso, mais do que detectar sinais de alerta, é preciso criar ambientes saudáveis, com comunicação aberta e relações de confiança.
Na família
- Estimule o diálogo sem julgamento
- Demonstre afeto e disponibilidade emocional
- Valorize pequenas conquistas
- Observe mudanças de comportamento
Na escola
- Ofereça apoio psicopedagógico
- Promova palestras sobre saúde mental
- Capacite professores para lidar com emoções em sala de aula
- Crie campanhas contra o bullying e a exclusão social
Quando buscar ajuda profissional
Nem todo sofrimento emocional é passageiro. Por isso, alguns sinais indicam necessidade de atenção especializada:
- ideias de autolesão ou desesperança;
- isolamento social prolongado;
- crises intensas de ansiedade;
- mudanças drásticas no apetite e no sono.
Nesses casos, a busca por profissionais de saúde mental — psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais — representa um passo decisivo. Afinal, o tratamento adequado pode transformar a trajetória do jovem além de previnir agravamentos.
Fontes confiáveis, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Fiocruz, reforçam que investir na saúde mental dos jovens é investir no futuro da sociedade.
Caminhos de esperança: construindo uma geração emocionalmente mais saudável
A adolescência é uma fase de descobertas, mas também de vulnerabilidades. Apesar disso, a boa notícia é que, com informação, escuta e afeto, é possível promover a saúde mental dos adolescentes e jovens de forma positiva. Por isso, mais do que intervir diante de crises, precisamos cultivar o cuidado cotidiano: conversar, acolher e demonstrar presença genuína.
Assim, pequenos gestos de empatia podem evitar grandes sofrimentos e abrir caminhos para o desenvolvimento pleno.
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