Síndrome do Pânico: Sintomas, Causas e Tratamentos

A síndrome do pânico costuma surgir de forma abrupta. O coração dispara, o ar parece faltar, o corpo treme e surge a sensação intensa de que algo muito grave vai acontecer. Não é raro que a pessoa acredite estar tendo um infarto ou perdendo o controle, o que aumenta ainda mais o medo.

Nesse cenário, compreender a síndrome do pânico — seus sintomas, causas e tratamentos é fundamental. A informação adequada reduz o estigma, diminui a culpa e favorece a busca por ajuda profissional.

Além disso, falar sobre o tema é uma forma de fortalecer a saúde mental coletiva. Afinal, o transtorno de pânico, classificado como um transtorno de ansiedade, é relativamente comum, e que possui tratamentos eficazes quando identificado precocemente

 

O que é a síndrome do pânico?

A síndrome do pânico, também chamada de transtorno de pânico, é uma condição de saúde mental caracterizada por crises súbitas e intensas de medo, acompanhadas de sintomas físicos e emocionais muito fortes. Em resumo: esses episódios, conhecidos como ataques de pânico, atingem um pico em poucos minutos, com sensação de ameaça iminente, mesmo na ausência de perigo real.

É importante diferenciar:

  • Ataque de pânico isolado: pode acontecer em situações pontuais de estresse, sem que a pessoa tenha, necessariamente, um transtorno de pânico.
  • Transtorno de pânico: ocorre quando esses ataques são recorrentes, inesperados e passam a gerar preocupação constante sobre quando virá o próximo episódio, com impacto na rotina. 

Portanto, não se trata de exagero ou falta de força de vontade. Trata-se de um quadro reconhecido por manuais diagnósticos internacionais e que exige cuidado adequado.

Principais sintomas da síndrome do pânico

Os sintomas da síndrome do pânico costumam aparecer de forma repentina, atingindo um pico em poucos minutos, e podem durar entre 10 e 30 minutos, embora a sensação de mal-estar possa se prolongar por mais tempo.

Em geral, eles se dividem em manifestações físicas e emocionais/cognitivas, divididos em quatro grupos.

 

Sintomas físicos

Entre os sintomas físicos mais comuns estão:

  • Palpitações ou coração acelerado;

  • Falta de ar ou sensação de sufocamento;

  • Dor no peito;

  • Sudorese e tremores;

  • Tontura, náusea ou formigamento.

Geralmente, esses sinais frequentemente se parecem com condições clínicas, o que leva muitas pessoas a procurarem serviços de emergência antes de receberem o diagnóstico correto.

 

Sintomas emocionais e cognitivos

Ao mesmo tempo, o ataque de pânico inclui sintomas emocionais muito intensos, como:

  • Medo de perder o controle
  • Sensação de morte iminente
  • Medo de enlouquecer
  • Sensação de que o ambiente está irreal (desrealização) ou de estar “fora do próprio corpo” (despersonalização)

Com o tempo, pode surgir o medo antecipatório, levando a um estado constante de alerta e a comportamentos de evitação.

Depois de algumas crises, é comum surgir o medo antecipatório. Isto é, a pessoa passa a viver em alerta, preocupada com a possibilidade de uma nova crise.

 

Tabela-resumo: principais sintomas da síndrome do pânico

Tipo de sintomaExemplos frequentes
FísicoPalpitações, falta de ar, dor no peito, sudorese, tremores, tontura
EmocionalMedo de morrer, medo de enlouquecer, sensação de catástrofe iminente
CognitivoPensamentos catastróficos, dificuldade de concentração, confusão
PerceptivoDesrealização, despersonalização
Comportamental (após as crises)Evitar lugares, sair acompanhado, reduzir atividades por medo

Essa visão organizada dos sintomas evidencia que a síndrome do pânico envolve corpo, mente e comportamento, o que exige uma abordagem ampla.

 

Causas da síndrome do pânico: o que a ciência sabe 

Atualmente, as causas exatas da síndrome do pânico ainda não são totalmente compreendidas. Contudo, estudos indicam que se trata de um quadro multifatorial, ou seja, resulta a partir da combinação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais.

Entre os principais estão:

  • Vulnerabilidade biológica e genética: histórico familiar de transtornos de ansiedade ou de pânico aumenta o risco.
  • Aspectos neurobiológicos: alterações em sistemas cerebrais relacionados ao medo e à resposta ao estresse, como o sistema noradrenérgico e serotonérgico.
  • Experiências de vida: eventos estressantes ou traumáticos (acidentes, perdas, doenças, violência) podem desencadear ou agravar o quadro.
  • Estilos de pensamento: tendência a interpretar sensações corporais como perigosas, acreditar que “qualquer sintoma é algo grave” ou ter alta sensibilidade à ansiedade.
  • Condições médicas e uso de substâncias: algumas doenças clínicas, assim como uso de cafeína em excesso, álcool ou outras substâncias, podem contribuir para o surgimento ou piora dos sintomas.

 

Para facilitar, veja a síntese:

Fator de riscoComo pode contribuir para a síndrome do pânico
Histórico familiarAumenta a predisposição biológica
Traumas e estresse crônicoSensibilizam o sistema de alerta do organismo
Estilo de pensamento catastróficoAmplifica o medo diante de sensações físicas
Problemas de saúde físicaPodem gerar sintomas parecidos e desencadear crises de pânico
Uso de substânciasPode alterar o funcionamento cerebral e intensificar a ansiedade

 

Síndrome do pânico, ansiedade e outros transtornos

A síndrome do pânico faz parte do grupo dos transtornos de ansiedade. Assim, é comum que ela apareça associada a outros quadros, como ansiedade generalizada, fobias, depressão e, em alguns casos, uso problemático de álcool ou medicamentos.

👉 Por isso mesmo, entender a ansiedade é um passo importante do cuidado. Explore os conteúdos do Instituto Ame Sua Mente sobre o tema.

 

 

Diagnóstico da Síndrome do Pânico

O diagnóstico da síndrome do pânico é clínico, ou seja, feito por profissional de saúde qualificado (médico psiquiatra ou psicólogo), a partir de uma avaliação cuidadosa da história, dos sintomas e do impacto na rotina.

Geralmente, o processo inclui entrevistas clínicas, investigação de outros sintomas emocionais, análise do histórico de saúde física e, quando necessário, exames para descartar outras condições médicas. Além disso, profissionais podem usar escalas padronizadas para avaliar a gravidade, como a Panic Disorder Severity Scale (PDSS) ou questionários relacionados à frequência e intensidade dos sintomas.

Todavia, vale reforçar que apenas um profissional de saúde pode confirmar o diagnóstico. Portanto, textos como este têm caráter informativo e não substituem uma avaliação individualizada.

 

Quais são as principais opções de cuidado?

Por certo, a boa notícia é que existem tratamentos eficazes para a síndrome do pânico. De modo geral, as abordagens se concentram em:

  • Psicoterapia (principalmente Terapia Cognitivo-Comportamental – TCC)
  • Medicamentos, quando indicados
  • Estratégias de autocuidado e mudanças na rotina

 

1. Psicoterapia: foco em compreensão e mudança de padrões

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais estudadas e recomendadas no tratamento do transtorno de pânico. De acordo com pesquisas brasileiras e internacionais, a TCC, em formato individual ou em grupo, é eficaz para reduzir frequência e intensidade dos ataques, além de diminuir o medo antecipatório.

Entre os principais focos da TCC para síndrome do pânico estão:

  • Psicoeducação: entender o que é o pânico e como corpo e mente reagem.
  • Identificação de pensamentos automáticos catastróficos (por exemplo: “vou morrer”, “vou desmaiar em público”).
  • Reestruturação cognitiva: questionar essas interpretações e construir explicações mais realistas para as sensações físicas.
  • Exposição gradual a situações temidas de forma segura e planejada, para que a pessoa recupere autonomia.

Assim sendo, a psicoterapia ajuda a pessoa a se entender melhor, reduzir a culpa, lidar com as crises e reconstruir a rotina com mais segurança.

 

2. Medicamentos: quando são indicados?

Em muitos casos, o tratamento da síndrome do pânico inclui o uso de medicamentos, especialmente:

  • Antidepressivos (como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina – ISRS), que atuam nos circuitos cerebrais ligados à ansiedade e ao humor e são considerados tratamento de primeira linha em diversas diretrizes.
  • Ansiolíticos, em situações específicas e, geralmente, por tempo limitado, sempre sob acompanhamento médico, devido ao risco de dependência e outros efeitos adversos.

De qualquer forma, somente um médico pode definir o medicamento indicado, a dose adequada e a duração do tratamento. Além disso, qualquer ajuste ou suspensão do remédio deve ser feito com orientação profissional.

 

3. Autocuidado e mudanças na rotina

Embora a síndrome do pânico seja um transtorno de ansiedade complexo, pequenas mudanças diárias ajudam a complementar o tratamento e a fortalecer a saúde mental:

  • Sono mais regular, com horário para dormir e acordar.
  • Redução do consumo de cafeína, álcool e nicotina.
  • Atividade física regular.
  • Alimentação balanceada, evitando longos períodos em jejum.
  • Práticas de respiração, relaxamento e atenção plena, para regular o sistema nervoso.

 

A seguir, uma tabela que resume as principais abordagens para a Síndrome do Pânico.

Tipo de abordagemObjetivo principalProfissional envolvido
Psicoterapia (TCC)Reduzir medo, corrigir pensamentos catastróficosPsicólogo(a)
Outras terapias baseadas em evidênciasTrabalhar emoções, estratégias de enfrentamentoPsicólogo(a)
Medicamentos antidepressivosDiminuir ansiedade e prevenir crises recorrentesPsiquiatra / médico de família
Ansiolíticos em curto prazoAliviar sintomas intensos em fases específicasPsiquiatra / médico de família
Educação em saúdeInformar sobre o transtorno e reduzir estigmaEquipe multiprofissional
Autocuidado e estilo de vidaFortalecer o organismo e a regulação emocionalPessoa, com apoio da rede e dos profissionais

 

Se você quiser se aprofundar em uma visão geral acessível em português, o Hospital Israelita Albert Einstein também disponibiliza um conteúdo sobre panic disorder com foco em sintomas, causas e tratamentos:
https://www.einstein.br/n/en/health-library/panic-disorder Einstein.

 

O que fazer durante uma crise de pânico?

Quando a crise já se instalou, é comum ter a sensação de que nenhuma estratégia vai funcionar. Ainda assim, algumas ações simples podem ajudar a atravessar esse momento:

  1. Reconhecer que é uma crise de pânico: lembrar-se dos episódios anteriores e do que já foi conversado com o profissional.
  2. Focar na respiração: inspirar pelo nariz contando até 4 e expirar pela boca contando até 6, repetindo algumas vezes.
  3. Apoiar-se em ancoragens sensoriais: tocar um objeto, olhar para um ponto fixo, descrever mentalmente o que vê ao redor.
  4. Repetir frases de segurança: por exemplo, “já passei por isso antes, vai passar de novo”, “meu corpo está reagindo ao medo, mas não é um infarto”.
  5. Buscar um lugar mais tranquilo, se possível: sentar-se, afrouxar roupas apertadas e pedir ajuda se estiver acompanhado(a).

Entretanto, é muito importante reforçar: na dúvida sobre uma emergência médica, especialmente diante de dor intensa no peito, falta de ar súbita ou outros sintomas preocupantes, busque o atendimento de urgência. A avaliação presencial é sempre a forma mais segura de diferenciar um ataque de pânico de outras condições de saúde.

Quando buscar ajuda profissional?

Nem todo episódio de medo intenso significa síndrome do pânico. Porém, vale buscar apoio de um psicólogo ou psiquiatra quando:

  • As crises se repetem e você vive com medo de que voltem a acontecer.
  • Você começa a evitar lugares (metrô, elevador, shopping, trabalho, escola) por receio de ter outra crise.
  • A rotina se torna limitada, com dificuldade para sair de casa ou para realizar atividades que antes eram comuns.
  • O sono, o apetite ou o humor mudam de forma persistente.
  • Aparecem pensamentos de desesperança ou de que “não vai dar conta de nada”.

Além disso, quem convive com uma pessoa com síndrome do pânico também pode desempenhar um papel importante no cuidado. Nesse sentido, algumas atitudes fazem diferença:

  • Escutar com empatia, sem minimizar o sofrimento (“não é nada”) nem dramatizar a situação (“isso é gravíssimo”).
  • Encorajar a busca por atendimento profissional, respeitando o tempo e os limites da pessoa;
  • Oferecer companhia em consultas, exames ou retornos;
  • Ajudar a lembrar das estratégias combinadas na terapia, sem cobrança ou julgamento.

Para quem deseja se aprofundar no tema da ansiedade e da depressão no contexto brasileiro, existem materiais de referência, como o artigo “Transtornos de ansiedade e depressão: um chamado à ação na saúde mental no Brasil”, que reforça a importância do cuidado contínuo e do acesso a tratamentos baseados em evidências.

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