Setembro amarelo: falar sobre saúde mental salva vidas

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Isso significa que, a cada 40 segundos, uma vida é perdida dessa forma, e este é o maior motivo da existência da campanha setembro amarelo.

Campanha Setembro Amarelo: dados e panorama no Brasil e no mundo

Embora os índices globais tenham caído cerca de 36% entre 2000 e 2019, nas Américas houve aumento de 17% de casos no período, incluindo o Brasil.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2024, houve 16.446 registros de suicídio no País. O índice segue uma tendência de crescimento desde 2010.

No vídeo, o psiquiatra Rodrigo Bressan, presidente-fundador do Instituto Ame Sua Mente fala sobre a importância da campanha:

Campanha Setembro Amarelo: quais as causas do Suicídio?

Embora o comportamento suicida seja complexo e envolva múltiplos fatores, a maioria dos casos está relacionada a transtornos mentais. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, mais de 95% das pessoas que tiraram a própria vida apresentavam algum tipo de transtorno mental. A depressão é o mais comum deles.

Infelizmente, para cada morte, há muitas outras pessoas que tentam tirar a própria vida. Assim, uma tentativa prévia é um dos principais fatores de risco.

Para saber mais ouça o podcast: Setembro Amarelo – Prevenção do Suicídio

Campanha Setembro Amarelo: prevenção do suicídio — quanto mais cedo, melhor

Outro dado alarmante chama a atenção: o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.  Além disso, pesquisas mostram que a geração Z — nascidos após 1995 — é mais vulnerável ao estresse. Isso contribui para o aumento de casos de ansiedade, depressão, autolesão e suicídio.

Neste contexto, é importante ressaltar que pesquisas comprovam que 75% dos transtornos mentais surgem antes dos 24 anos, sendo que 50% começam antes dos 14 anos. Apesar disso, 80% dos jovens com sintomas não recebem tratamento. Muitos não procuram ajuda por vergonha, medo do julgamento ou falta de informação. Em outras palavras, poderiam ter sido cuidados se o tema não fosse cercado por tanto estigma.

Se não bastasse, a impulsividade típica da juventude, somada à pressa por resultados e à baixa tolerância às frustrações, agrava a situação. “É fundamental que o jovem entenda a natureza passageira dos sentimentos e que perceba que ele não está sozinho.”, afirma Rodrigo Bressan.

Por tudo isso, com a campanha setembro amarelo, é urgente criar uma cultura de saúde mental que valorize a prevenção, o diagnóstico e o tratamento precoce. E que tudo ocorra sem preconceito ou discriminação. Quanto mais cedo for o cuidado, melhores as chances de mudança.

Os dados mais recentes do PeNSE/IBGE mostra um alerta entre os jovens:

PeNSE IBGE: 3 em cada 10 adolescentes relatam tristeza frequente

Suicídio: uma luz chamada esperança

A crise global da saúde mental trouxe um efeito preocupante: o aumento do sentimento de desesperança. Muitas pessoas passaram a sentir que não tinham mais controle sobre a própria vida. “O indivíduo se sente incapaz de mudar a situação ou entender que ela é passageira. Isso é o que define a desesperança em sua forma mais aguda.”, explica o psiquiatra Gustavo Estanislau, especialista do Instituto Ame Sua Mente. “Por isso falar de suicídio é também falar de desesperança”, diz.

Mas como transformar esse sentimento de impotência e vazio? O primeiro passo é buscar informação. É fundamental entender mais sobre saúde mental e sobre como funcionam nossos pensamentos e emoções. Além disso, estudar temas como autoconhecimento, autocontrole e habilidades sociais — as chamadas competências socioemocionais — ajuda a lidar melhor com as decepções e adversidades.

Outro ponto importante é lembrar que sentimentos difíceis costumam ser passageiros. Nenhuma dor dura para sempre. Por isso, em momentos de angústia, procure fazer algo que distraia a mente. Mesmo sem vontade, tente quebrar o ciclo de pensamentos negativos.

Por fim, construa e fortaleça sua rede de apoio. Ter alguém com quem conversar — seja um amigo, irmão ou outro familiar — pode fazer toda a diferença quando a desesperança bater.

Veja como os vínculos podem ajudar:

Dia Mundial do Amor: por que os vínculos fazem tão bem para saúde

 

 

Falar ajuda, e ouvir também

Curiosamente, a pandemia de COVID-19 abriu espaço para essa conversa. “A crise levou todo mundo a falar de saúde mental. Hoje é mais aceito dizer que se está triste ou angustiado. As pessoas escutam.”, afirma Bressan.

Dessa forma, criar ambientes seguros para falar com franqueza é fundamental. Isso vale para casa, escola, trabalho bem como entre amigos. A prevenção começa com escuta, acolhimento e informação de qualidade. Além disso, escutar com atenção e empatia é uma maneira poderosa de promover o autoconhecimento e fortalecer vínculos.

Mais do que isso, ouvir e falar são atitudes que podem salvar vidas. Quebrar o estigma, reconhecer sinais de sofrimento e saber quando buscar ajuda é essencial. Em outras palavras: a saúde mental não pode mais ser um tabu.

icone de precisa de ajuda e saúde mental

Se você ou alguém próximo está passando por um momento difícil, procure decerto ajuda. No Brasil, o CVV – Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188.

Conheça a rede de serviços de saúde mental disponível na sua cidade, conforme a sua necessidade.

FAQ – Dúvidas sobre Setembro Amarelo

O que é a Campanha Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância do cuidado com a saúde mental. Ao longo do mês, diferentes instituições promovem ações para ampliar o diálogo sobre sofrimento emocional e busca por ajuda. Além disso, a campanha contribui para combater estigmas e divulgar formas de apoio. A prevenção, contudo, deve acontecer durante todo o ano.

Quando é o Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo acontece durante todo o mês de setembro. A principal data da campanha é 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Nesse período, escolas, empresas, serviços de saúde e organizações costumam promover ações de conscientização.

Quais são os sinais de que alguém pode precisar de ajuda?

Alguns sinais podem indicar sofrimento emocional intenso, como isolamento, desesperança, mudanças bruscas de comportamento ou falas sobre morte. Contudo, nem sempre esses sinais são claros. Por isso, é importante acolher sem julgamento e incentivar a busca por ajuda profissional. Em situações de risco imediato, procure um serviço de emergência ou acione o SAMU pelo 192.

Como ajudar alguém com pensamentos suicidas?

Primeiramente, escute a pessoa com atenção e sem julgamentos. Leve qualquer fala sobre morte ou suicídio a sério e evite minimizar o sofrimento. Além disso, incentive a busca por ajuda profissional e, se possível, acompanhe a pessoa até um serviço de saúde. Em caso de risco imediato, não a deixe sozinha e procure uma emergência ou acione o SAMU pelo 192.

Como funciona o CVV?

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso para quem precisa conversar. O atendimento pelo telefone 188 funciona 24 horas por dia, todos os dias, e a ligação é gratuita. Os voluntários oferecem escuta sem julgamentos e com respeito. Contudo, o CVV não substitui atendimento médico ou psicológico, principalmente em situações de emergência.

 

Referências

Leia também:

Dicas para quem mora sozinho e convive com a depressão

Mitos e verdades sobre o suicídio

Desesperança: quando o futuro perde o sentido

 

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