Qual é o papel do professor na promoção da saúde mental dos estudantes? Essa é uma dúvida cada vez mais comum nas escolas. Nos últimos anos, temas como TDAH, autismo, depressão e bullying passaram a ocupar mais espaço nas discussões sobre educação.
Ao mesmo tempo, professores e gestores escolares são cada vez mais demandados em situações que envolvem sofrimento emocional, mudanças de comportamento e dificuldades de aprendizagem.
Em entrevista à Revista Educação, Gustavo Estanislau, psiquiatra e especialista do Instituto Ame Sua Mente, esclarece os limites e as responsabilidades da escola quando o assunto é saúde mental.
O professor não deve assumir o papel de especialista em saúde
De acordo com Gustavo, o professor ocupa uma posição privilegiada para observar o cotidiano dos estudantes, identificar mudanças de comportamento e dificuldades de aprendizagem, oferecer acolhimento e comunicar situações que merecem apoio especializado.
No entanto, a realização de diagnósticos e a definição de tratamentos dependem de avaliação clínica. Assim, cada profissional contribui dentro de sua área de atuação.
“O papel do professor é o de estar presente no momento, de ficar atento às características do aluno e à necessidade de acolhimento.”
Segundo o especialista, quando a escola compreende seus limites e responsabilidades, consegue contribuir de forma mais efetiva para o desenvolvimento e o bem-estar das crianças e adolescentes.
O papel do professor não é fazer diagnóstico
Durante a entrevista, Gustavo também comenta o aumento do número de diagnósticos. Segundo o especialista, parte desse crescimento está associada ao avanço do conhecimento científico e ao maior acesso à informação. Dessa forma, profissionais, famílias e escolas conseguem reconhecer sinais que antes passavam despercebidos.
Por outro lado, esse contexto pode gerar interpretações equivocadas. Por isso, é importante compreender o papel do professor. Cabe à escola observar, acolher e encaminhar os estudantes quando necessário. Já os diagnósticos são responsabilidade dos profissionais da saúde.
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A saúde mental dos professores também precisa de atenção
Por fim, a entrevista aborda a promoção da saúde mental no ambiente escolar. Gustavo ainda destaca a importância de fortalecer ações institucionais voltadas ao bem-estar dos educadores. Isso porque, muitos deles enfrentam altos níveis de estresse e acabam assumindo responsabilidades que extrapolam seu papel pedagógico.
“O educador acaba sofrendo calado; o nível de estresse vai aumentando e, quando precisa de ajuda, não raro já necessita de um suporte mais especializado e até com afastamento.”
Além disso, o psiquiatra defende iniciativas que ampliem o acesso à informação de qualidade e favoreçam a construção de um ambiente mais acolhedor. Em conjunto, essas estratégias contribuem para uma atuação integrada entre escola, famílias e serviços de saúde, fortalecendo o desenvolvimento e o bem-estar tanto dos educadores, como também de crianças e adolescentes.
Veja a entrevista completa.
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