
No meio da aula, a professora percebeu que havia algo diferente. O estudante, porém, não conseguiu dizer o que sentia. Em vez disso, mostrou o que havia escrito no caderno: um pedido de ajuda ligado a sofrimento emocional e risco de autolesão. Diante desse desafio na escola, a educadora Tata Azevedo, 45 anos, interveio sem exposição nem improviso. Primeiro, buscou orientação na Bússola – uma ferramenta da jornada formativa Ame Sua Mente na Escola, criada para apoiar educadores na prevenção e no manejo de questões de saúde mental. Em seguida, chamou o estudante para uma conversa estruturada, com o objetivo de orientá-lo, assim como apoiá-lo na busca de ajuda da família e de acompanhamento profissional,
Embora silenciosa, essa cena revela um desafio recorrente nas escolas. Muitos educadores querem ajudar, mas nem sempre se sentem preparados para lidar com situações como essa. Além disso, quando o pedido de ajuda aparece, raramente surge de forma clara. Na prática, ele se manifesta por meio de bilhetes, faltas, irritabilidade, isolamento ou queda de rendimento. Assim, nem sempre é fácil perceber que determinados comportamentos podem esconder um sofrimento mental intenso que exige atenção.
Naquele momento, Tata Azevedo já havia participado da formação Ame Sua Mente na Escola. Por isso, ao aplicar o que aprendeu e utilizar as ferramentas disponíveis, conseguiu transformar o desafio na escola em uma oportunidade de cuidado e encaminhamento.
Por que educadores demandam formação em saúde mental
Tata atua desde 2014 em uma Escola Técnica do Estado de São Paulo e também trabalha na Superintendência de Inclusão e Acessibilidade do Centro Paula Souza. De acordo com a educadora, ela procurou o Ame Sua Mente na Escola para atuar com mais assertividade e cuidado com os alunos e, ao mesmo tempo, fortalecer o diálogo com famílias e colegas.

“Porque eu não estava falando sozinha. Eles [outros professores da rede] buscaram o curso, então estavam abertos e propensos a estudar. Isso enriqueceu bastante a conversa na sala dos professores.”
A experiência relatada acima ajuda a compreender um cenário mais amplo vivido por muitas escolas. Em geral:
- o professor observa sinais, porém não sabe nomear o que está vendo;
- a equipe percebe sofrimento, mas não tem fluxo claro de ação;
- a família, às vezes, está exausta, sem acesso à informação ou com medo do estigma;
- e a escola fica dividida entre não fazer nada e fazer demais.
Neste contexto, o Instituto Ame Sua Mente atua nesse desafio, por meio tanto do letramento em saúde mental , quanto de ferramentas aplicáveis à rotina escolar.
Ame Sua Mente na Escola: mudar a cultura escolar para previnir crises e desafios
O Ame Sua Mente na Escola é um programa de formação em letramento em saúde mental voltado a educadores e profissionais da rede pública de ensino. Seu objetivo é fortalecer o cuidado com a saúde mental no ambiente escolar, ampliar o repertório de educadores para prevenção e manejo e, sobretudo, reduzir estigma e preconceito.

” O curso teve profundidade nas informações, mas não teve peso. O conteúdo, apesar de denso, foi passado de forma leve, com arte, com textos sucintos, assertivos e dinâmicos. A gente foi tratado com cuidado na hora de fazer o curso. É um trabalho incrível que merece que todos conheçam.”
Para compreender melhor a influência do Projeto, uma pesquisa da UNIFESP avaliou o impacto do Ame Sua Mente na Escola. Os resultados indicam que a formação tanto ampliou o repertório dos educadores, como também fortaleceu a confiança para agir em situações reais do cotidiano escolar.
Um dado chama atenção:
antes da formação, 18,4% dos educadores se sentiam aptos a identificar sinais de sofrimento psíquico;
após a capacitação, esse número subiu para 40,1%.
Da mesma forma, a pesquisa aponta avanços no preparo para lidar com contextos específicos:
a confiança para lidar com casos de TDAH passou de 23,8% (antes do curso) para 44,5% (após a capacitação);
para casos de depressão, o índice subiu de 13,8% para 38,1%;
já a identificação de situações de ansiedade aumentou de 15,3% para 42,5%.
Esses números não resumem todo o impacto, mas revelam um fator decisivo: quando educadores têm acesso ao letramento em saúde mental — que combina ciência e acolhimento — o conhecimento se transforma em prática. E é justamente no cotidiano da escola que essa prática se traduz em cuidado e prevenção.
Como funciona o curso Ame Sua Mente na Escola
Destinado a educadores e profissionais da rede pública de ensino, o curso reúne conteúdos voltados à:
promoção da saúde mental;
prevenção de transtornos mentais;
manejo adequado de situações de sofrimento psíquico;
bem-estar dos profissionais da educação.
Na prática, a formação inclui:
oito módulos, com foco na saúde mental no contexto escolar;
plataforma de ensino a distância (EAD), que permite acesso flexível aos conteúdos;
aulas gratuitas, com certificação;
conteúdos e orientações voltados à construção de uma cultura de cuidado, com foco em prevenção, redução do estigma e encaminhamento adequado quando necessário.
Nossa proposta é apoiar educadores com estratégias, recursos e materiais aplicáveis ao cotidiano da escola. Esse desenho dialoga diretamente com o que a educadora Tata Azevedo destacou da formação: profundidade, leveza e aplicabilidade.
Para saber mais do curso, clique abaixo:
Protocolo de encaminhamento
O Instituto Ame Sua Mente desenvolveu um modelo de formulário para apoiar educadores no encaminhamento de estudantes que possam necessitar de atendimento especializado em saúde mental. O protocolo ajuda a identificar indicadores importantes sobre a situação do aluno e contribui para uma comunicação mais clara e eficaz entre a escola e os profissionais de saúde responsáveis pelo acompanhamento.
O documento pode ser preenchido por um profissional que tenha contato direto com o estudante, com as informações disponíveis ou consideradas pertinentes para cada caso. Além de apoiar o encaminhamento para serviços especializados, o protocolo também auxilia a comunidade escolar na identificação de situações de risco e pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de prevenção em saúde mental no ambiente escolar.
Guia de Recomendações para a gestão escolar
Por fim, os especialistas do Instituto também desenvolveram um guia de recomendações para gestão escolar com o objetivo de reforçar a importância de construir uma cultura promotora de saúde mental. Ao todo, são sete cadernos que abordam temas como, por exemplo, bullying e cyberbullying, letramento racial, prevenção ao uso de drogas, autolesão e prevenção ao suicídio.
Os materiais apresentam iniciativas, processos e fluxos que ajudam a escola a construir uma resposta institucional diante de um desafio na escola estrutural. Ao mesmo tempo, o guia inclui um mapeamento da rede psicossocial do território. Com isso, busca facilitar encaminhamentos e reduzir a distância entre as necessidades dos estudantes e os serviços disponíveis.
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