
A internet transformou a maneira como nos comunicamos, consumimos informação e nos relacionamos. Ao mesmo tempo, esse avanço trouxe preocupações sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental, especialmente entre crianças e adolescentes.
Diversos estudos apontam uma associação entre o uso intenso de plataformas como Instagram, TikTok e Facebook e o aumento de sintomas de ansiedade e depressão entre os mais jovens. Segundo Jonathan Haidt, psicólogo da Universidade de Nova York, a piora significativa dos indicadores de saúde mental na adolescência coincidiu com a popularização dessas plataformas a partir de 2010.
Essa vulnerabilidade tem relação com o desenvolvimento cerebral. Como ainda estão formando sua identidade e buscando pertencimento, adolescentes tendem a ser mais sensíveis à influência social e à imitação de comportamentos. Nesse contexto, as redes podem exercer forte impacto sobre pensamentos, emoções e atitudes.
Pesquisadores do Reino Unido e da Holanda, em estudo publicado na revista Nature Communications, analisaram como o uso das redes sociais afeta o bem-estar emocional durante a adolescência. Os resultados indicam que os efeitos costumam surgir mais cedo entre as meninas, a partir dos 11 anos, enquanto entre os meninos aparecem entre os 14 e 15 anos.
A exposição frequente pode afetar a autoestima, a percepção da imagem corporal e a satisfação com a vida. Por isso, o uso excessivo das redes sociais pode comprometer o desenvolvimento emocional nessa fase.
No Brasil, os reflexos desse fenômeno já são observados nos indicadores da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE. Confira mais dados no blog:
Tempo de exposição e seus impactos
Outro fator relevante é o tempo de uso. Em geral, quanto maior a exposição às redes sociais, maiores também são os impactos cognitivos e emocionais. Entre eles estão queda da autoestima, dificuldades de atenção e aumento de sintomas depressivos.
Esse contato começa cada vez mais cedo. De acordo com a Ofcom, órgão regulador de comunicações do Reino Unido, 38% das crianças de 5 a 7 anos utilizavam redes sociais em 2024. Na mesma faixa etária, 65% usavam a internet para trocar mensagens ou realizar chamadas de voz e vídeo, enquanto 50% assistiam a transmissões ao vivo.
Redes sociais e saúde mental: agressividade e extremismo
Além dos impactos na saúde mental, preocupa o aumento da agressividade nos ambientes digitais. Isso porque discussões online podem se tornar rapidamente hostis, já que o distanciamento físico e a sensação de anonimato favorecem comportamentos mais extremos.
Nesse contexto, uma pesquisa da Unesco mostra que grupos radicais utilizam a internet para atrair novos integrantes, disseminar conteúdos e estabelecer contato com jovens. Da mesma forma, o estudo Juventudes e Conexões reforça essa preocupação: 58% dos participantes acreditam que a internet contribuiu para o aumento da agressividade e do extremismo. Além disso, 34% afirmam evitar expressar opiniões online por medo de retaliações.
Cyberbullying: violência que ultrapassa as telas
O cyberbullying é outro risco crescente do ambiente digital. Trata-se de um comportamento repetido que busca intimidar, humilhar ou ferir alguém por meio das tecnologias digitais.
De acordo com o relatório U-Report, do Unicef, um em cada três jovens já sofreu esse tipo de violência. Mais preocupante ainda: um em cada cinco abandonou a escola em decorrência dessas experiências..
Diante desse cenário, surgem iniciativas como a Internet Matters, no Reino Unido, que apoia pais e educadores na construção de ambientes digitais mais seguros. No Brasil, por sua vez, a atualização do ECA Digital representa um avanço importante na proteção de crianças e adolescentes.
Para saber mais, confira no blog os principais pontos da legislação:
Os efeitos da superexposição das crianças
Também cresce a preocupação com a exposição excessiva de crianças nas redes sociais, fenômeno conhecido como sharenting. Embora muitas vezes pareça inofensiva, a prática de compartilhar fotos e informações dos filhos pode afetar a privacidade e o bem-estar emocional das crianças.
Com o tempo, essa exposição pode favorecer a busca excessiva por aprovação e contribuir para insegurança, baixa autoestima e ansiedade. Além disso, o compartilhamento frequente de informações pessoais aumenta a vulnerabilidade a situações de cyberbullying e até de aliciamento.
Por isso, diálogo, orientação e limites claros são fundamentais para promover uma relação mais segura com a tecnologia.
Como promover o uso saudável das redes sociais?
Mantenha o diálogo aberto: Converse com frequência e acolha dúvidas e preocupações. Dessa forma, crianças e adolescentes aprendem que o conteúdo publicado nas redes nem sempre reflete a realidade.
Estabeleça limites claros: Defina horários, pausas e combinados para o uso das telas. Assim, fica mais fácil construir uma rotina equilibrada ao longo do tempo.
Incentive atividades fora do ambiente digital: Desconectar faz parte do desenvolvimento. Esporte, cultura, lazer e convivência presencial reduzem a centralidade das redes e ampliam as oportunidades de aprendizagem e bem-estar.
Dê o exemplo. Não adianta proibir o uso do celular durante às refeições e, ao mesmo tempo, checar mensagens à mesa. Afinal, o comportamento dos adultos é uma das principais referências para crianças e adolescentes.
FAQ — Principais dúvidas sobre redes sociais e saúde mental
1) Como as redes sociais afetam a saúde mental ?
O uso intenso das redes sociais pode aumentar a comparação social, a busca por aprovação e o medo de ficar de fora de experiências e grupos. Além disso, quando a vida online se torna a principal referência, podem surgir sintomas de ansiedade, baixa autoestima e alterações de humor, especialmente entre crianças e adolescentes.
2) Quais sinais indicam que o uso das redes sociais pode estar prejudicando a saúde mental?
Irritação, ansiedade ou tristeza após navegar pelas redes são sinais de atenção. Alterações no sono, isolamento social, perda de interesse por atividades presenciais e queda no rendimento escolar também podem indicar prejuízos associados ao uso excessivo.
3) O tempo de tela influencia a saúde mental?
Sim. Quanto maior o tempo de exposição, maiores tendem a ser os impactos emocionais e cognitivos, como dificuldades de atenção, baixa autoestima e alterações de humor. Por isso, estabelecer limites e pausas regulares pode ajudar a reduzir esses efeitos.
4) Cyberbullying pode afetar a saúde mental mesmo fora da internet?
Sim. Os efeitos do cyberbullying vão além do ambiente digital e podem provocar medo, vergonha, ansiedade e isolamento. Além disso, como as agressões podem acontecer a qualquer momento, muitas vítimas sentem que não têm um espaço seguro para se afastar do problema.
5) O que pais e responsáveis podem fazer para proteger crianças e adolescentes nas redes sociais?
Manter um diálogo aberto é o primeiro passo. Também é importante estabelecer regras claras sobre horários, privacidade e uso das plataformas, além de incentivar atividades fora das telas. Da mesma forma, os adultos devem servir de exemplo no uso equilibrado da tecnologia.
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